/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Diálogos audiovisuais: a obra como dispositivo de agenciamento coletiv
Autor
Cesar Baio
Resumo Expandido
No campo da produção audiovisual mediada por computador, as interfaces interativas permitiram a intervenção da audiência nos aspectos formais da imagem, prometendo tornar mais complexa a participação daqueles que se dispõem a experienciar a obra. A ação formal sobre a imagem e o som ganha um caráter especial em trabalhos cuja interface se converte em aparato de mediação de agenciamentos coletivos. Tais obras amplificam a potência de ação de seus participadores, que se tornam efetivamente sujeitos do discurso audiovisual.

Procedimentos de geração e manipulação de imagens, tais como, captação, justaposição e efeitos, antes restritos aos conhecidos agentes da produção audiovisual (diretor, fotógrafo, montador) passaram a estar disponíveis para quem se dispõe a interagir com a obra. Em muitos casos, a participação se dá de maneira coletiva, descentralizando e distribuindo as decisões criativas entre as diversas pessoas que interagem simultaneamente com a obra. Telas multi-touch, sistemas conectados em rede, instrumentos de visão computacional e biofeedback são utilizados para a criação de obras que se apresentam como dispositivos audiovisuais abertos à intervenção criativa do público.

Nesta apresentação, parte-se das teorias da interface (Poster, Weibel, Zielinski, Golloway, Manovich, Dinkla) para analisar esta produção audiovisual, conferindo especial ênfase a trabalhos de artistas como Giselle Beiguelman, Lucas Bambozzi, MM não é confete, Rachel Rosalen e Rafael Marchetti. A investigação busca compreender o lugar preponderante que a interface ocupa nos processos de construção simbólica coletiva, bem como, pesar as dimensões de ordem cognitiva, estética e política dos agenciamentos simbólicos produzidos por meio das interfaces dessas obras-dispositivos, a serem reveladas a partir do exame sistemático das maneiras como cada uma delas entende e estrutura os procedimentos de criação audiovisual disponibilizados aos partipadores.
Bibliografia

DINKLA, Söke. The art of narrative: towards the floating work of art. In. RIESER, Mark, ZAPP, Andrea (ed.). New screen media: cinema/art/narrative. Londres: BFI Publishing, 2002.

GOLLOWAY, Alexander. The Unworkable Interface: on the aesthetics and politics of interfaces. In: New Literary History. Volume 39, Numero 4, Outono de 2008.

MACHADO, Arlindo. Máquina e imaginário: o desafio das poéticas tecnológicas. São Paulo: Edusp, 1993.

MANOVICH, Lev. The language of new media. Cambridge & London, MIT Press, 2001.

POSTER, Mark. The second age media. Cambridge, Polity Press, 1995.

WEIBEL, Peter. La imagem inteligente: ¿neurocinema o cinema cuántico? in: Arte Algorítmico. De Cezane a la Computadora. Seminário organizado por UNESCO y MECAD/ESDi, 2004.

ZIELINSKI, Siegfried e RÖLLER, Nils. On the Difficulty to Think Twofold in One. In: Hans Diebner, Timothy Druckrey and Peter Weibel (Editors). Sciences of the Interface. Genista. 2001.