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  Título
AS RELAÇÕES CONTEMPORÂNEAS E O FILME MEDIANERAS
Autor
Vanessa Paula Trigueiro Moura
Resumo Expandido
Partindo de uma reflexão a respeito das construções entre a relação da cidade, mídia e indivíduo, por meio do filme Medianeras, tentamos observar a representação e seu processo de significação dentro do próprio contexto audiovisual.

O espaço urbano torna-se um indicativo da sociabilidade contemporânea na medida em que seus residentes se relacionam com o entorno e uns com os outros de um modo específico. A grande quantidade de mensagens que são trocadas o tempo todo faz com que seja muito difícil destacar singularmente algo ou alguém nessas vivências cotidianas.

Esse panorama se complexifica com o advento das tecnologias digitais, que trazem consigo novos panoramas para a comunicação, cria um novo ambiente de trocas. Assim é que a individualidade contemporânea e as relações sociais nos grandes centros urbanos, permeadas pelas novas plataformas de comunicação, aparecem representadas na obra audiovisual Medianeras: Buenos Aires na era do amor virtual .

O cerne dessa reflexão permeia a construção das representações por meio da ligação simbólica do filme com a arquitetura da cidade de Buenos Aires, expondo as relações sociais como reflexo dessa nova sociabilidade contemporânea. Medianeras apresenta as diferenças arquitetônicas da a partir de uma narração subjetiva, estabelecendo uma relação entre os habitante e as construções urbanas. Por essa razão, possibilita apreender a representação da formação arquitetônica da cidade nas subjetividades dos protagonistas da trama, que potencializam o coletivo do lugar e do tempo em que vivem, ressaltando, dessa forma, a relação entre a cultura, o comportamento e a realidade midiática e virtual.

Ao tratarmos dessa relação entre a arquitetura urbana, a comunicação virtual e as relações sociais, nos ambientamos, necessariamente, em uma realidade cultural em que a comunicação midiática tem papel de destaque. Mídia, aqui constitui um modo de experiência contemporâneo (SILVERSTONE, 2005). Pensar a cidade, as disparidades arquitetônicas e as faces do urbano como representação de um individualismo contemporâneo e um modo de relação social por meio da linguagem cinematográfica nos insere numa realidade transdisciplinar, em que os processos culturais, comunicacionais e sociais encontram-se interligados de maneira quase indissociável.

A relação do homem urbano com a mídia faz transparecerem novos vínculos comunicativos, evidenciando que as "novas tecnologias de comunicação e informação estão reconfigurando os espaços urbanos bem como as práticas sociais desses mesmos espaços" (LEMOS, 2004, p. 19). No entanto, diante dessa realidade comum é preciso estar ciente também que a leitura espaço-temporal do cotidiano, da aleatoriedade arquitetônica e da interação social é inerente ao processo subjetivo de ressignificação tanto da cidade quanto das relações.

A discussão, portanto, vai além de indivíduos isolados por uma vivência quase totalmente imersa no ciberespaço, ou seja, em "uma dimensão da sociedade em rede, onde os fluxos definem novas formas de relações sociais" (MORAES, 2004, p. 32). Percebe-se o fluxo de informações e transformações que acontecem na cidade, na arquitetura local, na relação do coletivo com o meio urbano. "Uma visão da cidade é um discurso ao mesmo tempo individual e do todo, mais perceptível quanto mais concretizado em formas midiáticas. As mídias são, portanto, condição da visibilidade urbana" (SILVA, ROCHA, 2006, p. 07).

Refletir sobre o individualismo contemporâneo a partir das relações sociais e de suas ligações com a estética das cidades recortados da narrativa de Medianeras é pressupor a existência e as interrelações de subjetividades que alteram a paisagem da cidade, que por sua vez penetra nas subjetividades de seus habitantes. Ao mesmo tempo, a alteração da percepção espaço-temporal das cidades reflete também as mudanças das tecnologias de comunicação e informação.
Bibliografia

LEMOS, André . Cibercidades: um modelo de inteligência coletiva. In: Lemos, André (org.). Cibercidade: A cidade na cibercultura. Rio de Janeiro: E-papers Serviços Editoriais, 2004.



MORAES, Patrícia Barros. Propostas e desafios nas cidades digitais. In: Lemos, André (org.). Cibercidade: A cidade na cibercultura. Rio de Janeiro: E-papers Serviços Editoriais, 2004.



SILVA, J.C.; ROCHA, R.L.M. Leituras imagéticas e urbanidade em ações culturais nas cidades de Natal e São Paulo: apontamentos sobre proposições comunicacionais In: Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. São Paulo: Intercom, 2006.



SILVERSTONE, Roger. Por quê estudar a mídia?. São Paulo: Loyola, 2005.