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  Título
Apontamentos para um estudo sobre a Pathé-Baby no Brasil
Autor
Lila Silva Foster
Resumo Expandido
No começo dos anos 1920, a empresa Pathé-Frères lançou no mercado francês a sua linha de equipamentos para o cinema no lar: o projetor e a câmera Pathé-Baby. A disponibilização destes equipamentos, mais fáceis de usar e com um sistema muito bem montado de comercialização e processamento, permitiu a escalada da produção de filmes por diletantes e cineastas amadores. No Brasil, os anúncios dos equipamentos Pathé podem ser encontrados em revistas ilustradas como a Cinearte, que, através das colunas de cinema amador, propagandeava os equipamentos disponíveis no mercado carioca além de publicar traduções de manuais técnicos de utilização das câmeras Pathé-Baby. Nestas mesmas colunas, encontramos informações sobre a Societé Franco-Bresilienne du Pathé-Baby, casa de vendas localizada na Rua Rodrigo da Silva, no centro do Rio de Janeiro.



Hipótese a ser confirmada, a Societé Franco-Bresilienne du Pathé-Baby funcionava como a representação do nicho de mercado doméstico no Brasil, além de centro de distribuição de equipamentos para o lar, processamento de filmes e locação de filmes que compunham o catálogo Pathescope, que incluía filmes de Charles Chaplin e documentários de curta-metragem. A presença de representantes estrangeiros na sucursal brasileira, indício da dimensão internacional dada aos negócios da firma francesa, pode ser identificada na coluna Cinema de Amador do dia 1 de maio de 1929, que anuncia a saída do representante F. Nicout, logo substituído por R.Gadin. Aron Neumann, alemão de nacionalidade, era chefe da seção de vendas, “o qual presentemente dedica as suas atividades na América do Sul, e em especial no Brasil, para a expansão do cinema no lar” (Cinearte, “Cinema de Amadores”, v.6, n.272, 13 de maio de 1931).



Local de encontro para amadores e interessados em trabalhos de filmagens de eventos familiares, nas notas sobre as atividades da casa encontramos comentários sobre Paschoal Nardone, chefe de laboratório da empresa. Filho dos imigrantes italianos Natale e Concetta Nardone, Paschoal Nardone nasceu no Rio de Janeiro em 07 de Agosto de 1896. Trabalhou em uma joalheria antes de assumir o cargo técnico na firma Pathé, onde se destacou como exímio profissional na revelação de filmes. Em 1980, a coleção de filmes de Nardone foi recolhida pelo pesquisador Fernando Campos e depositada no Arquivo Geral do Rio de Janeiro. Um trabalho de catalogação inicial dos 123 rolos em 9.5mm foi realizado, em 2013, pela equipe do arquivo, um primeiro olhar para este acervo que permitiu a identificação de filmes ficcionais, filmes de família e registro de eventos públicos. A partir de uma breve descrição e análise dos filmes da coleção Paschoal Nardone pretendemos demarcar a presença da Pathé-Baby no Rio de Janeiro, trabalho que contribui para o quadro histórico sobre o cineamadorismo no período.
Bibliografia

CINEARTE. Rio de Janeiro: Sociedade Anônima O Malho, 1926-1942. Semanal. Disponível em: www.bjksdigital.museusegall.org.br.



CRETON, Laurent. L'économie et les marchés de l'amateur. In: Communications, 68, 1999. p.143-167.



KERMABON, Jacques (org.). Pathé: premier empire du cinema. Paris: Centre George Pompidou, 1994.



MORAES, Julio Lucchesi. “Notas para uma história econômica do cinema brasileiro: o caso da firma Marc Ferrez & Filhos (1907 – 1917)”. In: Revista da Cinemateca Brasileira, n.02, jul.2013. p.24-39.