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  Título
CINEMA EM FOCO: CINE DEBATE COMO PROVOCAÇÃO E INVENÇÃO DE SENTIDOS
Autor
Andreza Oliveira Berti
Resumo Expandido
Este trabalho tem como objetivo visibilizar experiências éticas e estéticas de estudantes do ensino médio em escolas públicas do Rio de Janeiro, por meio da realização de Cine Debate. A partir do encontro com o filme, buscamos dialogar com os diferentes espaços de inserção desses jovens.



Convidamos para o diálogo o resultado de um projeto que colocou em foco jovens moradores de comunidades cariocas. Pois, quando esses jovens denunciaram e anunciaram suas “realidades”, puderam ficcionar “o real”. Revelaram que “o real precisa ser ficcionado para ser pensado” (RANCIÈRE, 2009, p. 58). Diante desse real ficcionado, apostamos no protagonismo juvenil e na potência co-formadora do filme “5X favela: agora por nós mesmos” (2010).



A produção desse longa-metragem brasileiro foi orientada e acompanhada por Cacá Diegues (um dos realizadores do “5X favela” na década de 60 e precursor do movimento brasileiro intitulado cinema novo), por meio de oficinas sobre direção, roteiro, som, fotografia, etc.



A composição, em quadros, do “5X favela: agora por nós mesmos” nos permitiu promover o encontro entre os alunos e o filme de forma mais intensa e cuidadosa. Assim, o ponto de partida para o debate foi o tema suscitado pelo episódio Fonte de Renda (dirigido por Wagner Novais e Manaíra Carneiro): a reflexão sobre o acesso e a permanência na Universidade brasileira.



Após a exibição os estudantes foram colocando em “xeque” algumas sequências do episódio, contrapondo argumentos, alterando desfechos, exprimindo pontos de vista sobre os diretores/realizadores, questionando atitudes de personagens. A todo o momento os alunos eram convidados a criar conceitos (DELEUZE, 1992) e problematizar os sentidos atribuídos a eles. Das provocações, dúvidas e questionamentos emergidos desse encontro buscavam “forçar o pensar” (GALLO, 2008), desejavam inventar outros (não)sentidos.



Na tentativa de encontrar (não)sentidos, percebemos a importância da aproximação entra as diversas experiências éticas e estéticas oriundas dos alunos espectadores (RANCIÈRE, 2010) e, nesse processo, esperamos fortalecer ações educativas mais heterogêneas, visto que ao estetizar distintos modos de ser (juvenis, por exemplo), podemos potencializar a relação entre cinema e educação,



Ao entender o cinema como um amplo campo de experimentação do pensar (DELEUZE, 2007) – através de suas imagens, sons, explosão de movimentos e tantos outros artefatos utilizados –, somos convidados a deslocar o pensamento, a criar outras formas de pensar, quiçá, o impensável.



Por isso, aprofundar a relação entre cinema e educação (e seus desdobramentos no espaço escolar), possibilita criar noções nestes campos. Proporciona entender o conhecimento como transversalidade, mobilidade, multiplicidade e fluidez, capaz de transitar tanto no campo educacional quanto no campo cinematográfico. Potencializa, portanto, compreender as múltiplas tensões que “forçam o pensar” (GALLO, 2008), que exercem uma força passível de desestabilizar o pensamento e estimular a criação.



Sendo assim, ao inventar conceitos transversais às áreas educativas e artísticas, podemos assegurar “que cada estudante seja convidado a colocar seus problemas, adentrar no campo problemático e experimentar os conceitos, seja manejando e deslocando conceitos criados por filósofos ao longo da história do pensamento, seja criando seus próprios conceitos” (GALLO, 2008, p. 75), para a proliferação de sentidos à vida.
Bibliografia

DELEUZE, Gilles e Guattari, Felix. O que é a Filosofia? São Paulo: Editora 34, 1992.

DELEUZE, Gilles. A imagem-tempo. Tradução Eloisa de Araújo Ribeiro. São Paulo: Brasiliense, 2007.

GALLO, Sílvio. Filosofia e o exercício do pensamento conceitual na Educação Básica. Revista Educação e filosofia, Uberlândia, volume 22, número 44, jul/dez. 2008. http://www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/1967. Acesso em 10 de julho de 2012.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo. Ed. 34, 2 edição, 2009.

______. O espectador emancipado. tradução José Miranda Justo. Lisboa: Orfeu Negro, 2010.