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  Título
Chianca de Garcia - entre Portugal e Brasil
Autor
Felipe Augusto de Moraes
Resumo Expandido
Enquanto os amigos iam para a faculdade de Direito, Chianca de Garcia traçou pra si outro plano: espectador assíduo dos teatros lisboetas, mas lá do alto das torrinhas (os lugares mais baratos), Chianca conseguiu convencer um jornalista conhecido seu que estava criando um novo jornal a dar-lhe o posto de crítico, pelo simples fato de que críticos tinham lugar garantido na primeira fileira. Só que logo em seu texto inaugural, ao ironizar um conhecido autor da época, o jovem crítico, então com dezenove anos, criou uma confusão tão grande que acabou banido de seu posto, virando comentarista de futebol. A paixão pelo teatro, no entanto, era um fato dado. Pouco tempo depois, estreia no teatro Politeama, talvez então o principal palco da capital portuguesa, a peça Filha de Lázaro (1923) de sua autoria.

Dramaturgo e compositor de sucesso, torna-se rapidamente também um entusiasta do cinema. Em 1928, ajuda a fundar a revista de atualidades Imagem e já em 1930 realiza seu primeiro filme Ver e Amar, cujo pano de fundo é o universo das revistas teatrais que ele conhecia tão bem. Entusiasta das possibilidades do novo cinema sonoro, participa da fundação em 1932 da companhia Tóbis Cinematográfica, e atua na produção de filmes emblemáticos como A Canção de Lisboa (1933), considerado o marco inaugural do gênero conhecido como ‘comédia portuguesa’. Diretor e roteirista de obras como Trevo de Quatro Folhas (1936), Chianca alcança o auge do sucesso de público e crítica com Aldeia da Roupa Branca (1939), até hoje um clássico absoluto da cinematografia portuguesa. Convidado a visitar o Brasil, numa viagem de duas semanas, não voltará mais a sua terra natal, fixando residência no Rio. Aqui, realiza logo em seguida pela Cinédia dois filmes importantes: Pureza (1940) e 24 Horas de Sonho (1941), além de tornar-se um dos mais requisitados diretores de cena do Cassino da Urca.

Esta comunicação procura estudar dentro da filmografia de Chianca, as relações possíveis entre Aldeia da Roupa Branca e 24 Horas de Sonho, assim como as reverberações entre a “comédia portuguesa” e a gestação de uma comédia à brasileira (vale lembrar, por exemplo, que 1941 é o ano de fundação da Atlântida), tendo como fundo a construção de dramaturgia popular, em Portugal e no Brasil (24 Horas de Sonho apresenta uma colaboração entre Chianca e Joracy Camargo, autor da “lendária” comédia Deus lhe Pague, um dos maiores sucessos da história do teatro brasileiro), assim como a busca por uma ‘comédia sofisticada’, projeto caro a Cinédia, por exemplo, por ser capaz de afastar o cinema brasileiro do espectro do filme carnavalesco.

Bibliografia

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Paulo, Centro Cultural Banco do Brasil, 2006.

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VENEZYANO, Neide. Não Adianta Chorar: teatro de revista brasileiro...Oba! Camponas, Ed. da Unicamp, 1996.