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  Título
O tempo alongado: estética do cotidiano no cinema de Chantal Akerman
Autor
greice schneider
Resumo Expandido
O presente trabalho propõe discutir uma estética do tédio e do cotidiano presente nos trabalho da cineasta belga Chantal Akerman, especificamente o filme Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles. O intuito é o de identificar possíveis estratégias de desaceleração da experiência temporal a partir de um investimento nos pequenos eventos e gestos mínimos desdramatizados. Como o tédio é tão intimamente relacionado à percepção subjetiva do tempo, velocidade será uma das primeiras dimensões a serem controladas para replicar a experiência de tédio e tempos mortos.

Lentidão é o ritmo mais comumente utilizado para sugerir tédio (a palavra em alemão – Langeweile – significa literalmente longa duração – tempo que não passa). Essa sensação é causada pela ausência de marcadores temporais: se nada acontece, a atenção é dirigida para o tempo, acentuando a sensação de duração. A desaceleração causada pela ausência de eventos relevantes é justamente uma das formas de submeter o espectador à experiência da duração: o tédio seria ativado pela passagem do tempo e a progressiva mudança entre um incômodo inicial e um estado de sintonia.

Por impor uma duração ao expectador, o cinema parece ser um meio privilegiado para explorar as dinâmicas e temporalidades do tédio e encorajar a experiência da própria passagem do tempo. De fato, a combinação entre tomadas longas e situações onde pouca coisa acontece foi bastante explorada pelo cinema de vanguarda, demandando uma alta dose de tolerância, em filmes muitas vezes acusados de tediosos (Warhol talvez seja o exemplo mais emblemático). O trabalho busca analisar as estratégias utilizadas para reproduzir na experiência do espectador o tédio vivido pelos personagens no universo fílmico.

Bibliografia

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