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  Título
Desencaixotando Andrés Di Tella
Autor
Candida Maria Monteiro
Resumo Expandido
Andrés Di Tella pertence a uma geração da vanguarda que se formou a partir dos anos 1960: realizadores que romperam com o paradigma do Cinema Direto e vérité. Para Di Tella, o uso do filme doméstico como documento histórico é uma forma de criar novas versões para a história oficial. Antes, considerado um registro menor, o filme doméstico ganha uma nova dimensão quando manipulados por artistas como Di Tella. Imagens que deixam o fundo das gavetas e se tornam relevantes no contexto presente. A apropriação de filmes pré-existentes, de arquivo privado ou público, permite a ressignificação das ideias. Nesse sentido, vem à tona o caráter subversivo de Di Tella, junto com ele o desejo de inverter a ordem das coisas, de interferir na produção massiva da informação e da imagem.



Talvez, seja possível apontar na tendência do documentário autobiográfico contemporâneo, praticado por Di Tella, um certo traço impressionista. À maneira do movimento artístico que rompe com o realismo, permitindo que o pintor leve para a tela suas impressões sobre luz e cor, Di Tella busca dar sua versão pessoal para os fatos históricos. Emerge, aqui, a ideia de que quanto mais particular, mais universais podem ser as expressões.



O Documentário do eu, que Di Tella inaugura na Argentina, realiza também uma releitura do documentário autobiográfico. De um lado, o subgênero explicita os limites do documentário: a impossibilidade de envolvimento ou isenção do documentarista. De outro, confirma que toda found footage é um recurso poderoso no sentido de fazer emergir a subjetividade do artista.



Transparecendo seus dispositivos, Di Tella procura refletir sobre o próprio processo de desenvolvimento da obra, incorporando ao filme as dificuldades em abordar determinados temas da realidade: as resistências dos personagens em se revelar, os disfarces utilizados, as máscaras e papéis que cada um pode assumir diante da câmera. Assim, Di Tella expõe suas dúvidas na realização de um filme e, principalmente, as barreiras impostas pelo gênero que, por assim dizer, se recusa a acontecer conforme o planejamento.

O Documentário do eu, enfim, se aproxima dos caminhos adotados nas produções da vídeo-arte, do ensaio fílmico, sem deixar de ser também uma incursão no cinema experimental. Di Tella constrói, na América Latina, uma ponte importante com a vanguarda internacional: o cinema de metragem encontrada ou found footage, expressão que, entre outras articulações, contesta o consumo passivo do espectador.

Bibliografia

CASIMIRO, Torreiro e CERDÁN, Josetxo. (eds.) Documental y vanguardia. Catedra: signo e imagen. Festival de Málaga, Madrid, 2005.



CUEVAS, Efrén. Del cine doméstico al autobiográfico: caminos de ida y vuelta. In: GUTIÉRREZ, Gregório Martín. Cineastas frente al espejo. Madrid: T&B Editores, 2008. P. 100-120.





____. Diálogo entre el documental y la vanguardia en clave autobiográfiva. In: TOREIRO, Casimiro e CERDÁN, Josetxo. Documental y vanguardia. Catedra: signo e imagen. Festival de Málaga, Madrid, 2005.





DI TELLA, Andrés. Cine documental y archivo personal. In: FIRBAS, Paul; MEIRA, Pedro (org.) Conversación en Princenton, Buenos Aires: Siglo XXI, 2006.





____. Yo y tú: autobiografia y narración. In: archivos de la Filmoteca revista de estúdios históricos sobre la imagem Valencia: Filmoteca General, 2007. Vol II número 57-58 p 248 – 259





DI TELLA, Andrés. Un caminho más para el cine. Entrevista concedida a Javier Benítez Láinez. 22/09/2001.

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