/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Puzzle-films no cinema de gênero fantástico
Autor
Pedro Felipe Leite Carcereri
Resumo Expandido
Puzzle-films são filmes que apresentam narrativas com estruturas não-lineares. Seu contexto envolve a apresentação de pistas que são usadas para chegar em uma conclusão final. A presença dessas estruturas no gênero fantástico dá origem a uma estrutura narrativa interessante, com semelhanças e diferenças peculiares. O fantástico pode subverter a estrutura conclusiva do puzzle, como um quebra-cabeças montado, através do aspecto da hesitação que é inerente ao gênero fantástico. Para um estudo de caso foram escolhidos dois filmes: Abre los Ojos (1997) de Alejandro Amenábar e Yella (2007) de Christian Petzold. Esses filmes podem ser citados como representativos dentro da filmografia contemporânea dos países de sua realização, Abre los Ojos é espanhol e Yella alemão. Também podem ser citados como representativos na carreira de seus respectivos realizadores. Tendo essa concepção em vista, é preciso também realizar uma análise levando em conta questões de autoria e cinemas nacionais em reflexão à teoria de gêneros. O hiato de dez anos entre as produções deve ser atentado para possíveis diferenças entre o uso das questões pesquisadas em suas narrativas. É possível a partir de então encadear uma análise de como o puzzle e o fantástico se relacionam dentro de narrativas fílmicas e se as dicotomias estudadas ocorrem nas duas ocasiões.



Pode-se traçar então alguns objetivos relevantes para o estudo. Os puzzle-films se relacionam com o gênero fantástico de maneira exclusiva ou relacional? O gênero fantástico serve como efeito subversivo da ordem final do puzzle resolvido, através de características de hesitação, transgressão, desvio e estranheza? Essa relação é construtiva ou destrutiva? Esses dois filmes, através de suas narrativas puzzle, são capazes de ser usados como exemplo para responder essas questões? Feitas essas perguntas partiremos então para a tentativa de responde-las com uma metodologia e uma fundamentação teórica já bem consolidada. Nos aproximaremos da questão de gênero através de uma perspectiva semântico/sintática pragmática. Quanto às questões do fantástico e dos puzzle nos utilizaremos de pesquisas feitas no âmbito literário e cinematográfico.



Concluindo esse olhar, pretendemos situar um pouco melhor como ocorre essa relação entre o puzzle-film e o gênero fantástico, tentando colaborar com as pesquisas recentes sobre teoria de gênero. Atentando-se também a relações com teorias de autor e de cinemas nacionais, engrandecendo dessa forma a discussão teórico-crítica das pesquisas contemporâneas de gênero cinematográfico.

Bibliografia

ALTMAN, Rick. Film/Genre. London: British Film Institute, 1999.



BECKER, Howard. Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.



BORDWELL, David; STAIGER, Janet; THOMPSON, Kristin. The classical Hollywood Cinema: film style and mode of production to 1960. Nova York: Columbia University Press, 1985.



BUCKLAND, Warren (org.). Puzzle films: complex storytelling in contemporary cinema. Chichester: Blackwell Publising, 2009.



BUSCOMBE, Edward. A idéia de gênero no cinema americano. In: RAMOS, Fernão Pessoa (org.). Teoria contemporânea do cinema, volume 2: documentário e narratividade ficcional. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005.



FRYE, Northrop. Anatomia da crítica. Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo: Editora Cultrix, 1973.



TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. Tradução de Maria Clara Correa Castello. 4ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2010.