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  Título
Investigação acerca da produção audiovisual brasileira dos anos 1980
Autor
Ana Maria Giannasi
Resumo Expandido
Investigação acerca da produção audiovisual brasileira a partir dos anos 1980: Uma década que poderia ser considerada como uma divisora de águas?



Wilson Barros, em making of produzido para a documentação das filmagens de “Anjos da Noite” (1987), declara ser um cineasta “urbano e contemporâneo”, adjetivos que trazem consigo o sentimento de pertencimento de um mesmo espaço e um mesmo tempo. Mas, eles também representam a própria essência do fazer cinematográfico.



As idéias de contemporaneidade e urbanidade parece-nos chave para uma investigação sobre o audiovisual produzido na década de oitenta.



O pertencimento a uma metrópole com mais de 10 milhões de habitantes, naquela década, onde a busca de identidade / individualidade (o ser dentro de um espaço), em um intervalo de tempo (o estar) transcende a questões ideológicas para abarcar a própria existência, sob todos os aspectos e todos os pontos de vista.



Para Wilson Barros, o homem é um ser fragmentado (decupado em partes / em planos – à semelhança de como Nöel Burch define a construção fílmica) em um espaço (uma metrópole quase que descaracterizada por ser igual a tantas outras, mas ao mesmo tempo única por possuir características culturais próprias), que busca: Busca autoconhecimento, busca identidade, individualidade, prazer. Mas, limitado a um tempo linear e contínuo. Muitos autores, como Zygmunt Bauman em “Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos”, por exemplo, identificam a crise do homem pós-moderno a partir deste ponto.



Além disso, “Anjos de Noite” é um filme dentro de um filme, que por sua vez está dentro de um palco de teatro e que também está dentro de uma televisão, instaurando questionamentos (e buscas) identitários na própria construção discursiva da obra que, naquele momento histórico específico da cultura brasileira (e mundial), não se bastava ser uma só.



A portabilidade do vídeo tape, disseminado a partir dessa década, permite um diálogo maior entre cinema e televisão. As produtoras independentes de vídeo começam a surgir e vêm a produzir uma gama variadíssima de material que culmina com o surgimento do VIDEOBRASIL (importantíssimo festival de vídeo independente), com o movimento de democratização política e das comunicações (a Constituição promulgada em 1988, dedica o seu Vº Capítulo às questões ligadas à Comunicação Social, à democratização dos meios de comunicação e às produções independentes). Isso começa a modificar o modo de produção e alia-se à crise econômica e política do Estado ditatorial brasileiro e ao fim da EMBRAFILME.



Mudanças de paradigmas tecnológicos, de ressignificação estética e de narrativa, e novos modelos de produção serão os principais pontos abordados nesta investigação. Resgata-se o passado para ressignificá-lo ou para reverenciá-lo. Ou para ser a referência. O cinema das referências é o cinema produzido na década de 1980.
Bibliografia

AB’SÁBER, Tales A. M. A imagem fria: cinema e crise do sujeito no Brasil dos anos 80. Cotia: Ateliê Editorial, 2003.

AGUIAR, Joaquim Alves de. O astro da anistia. Revista ALCEU m v.2 m n.3 m p. 146 a 165 m jul./dez. 2001. http://revistaalceu.com.pucmrio.br/media/alceu_n3_Joaquim.pdf. Último acesso em 23/11/2013.

BARBOSA, Andréa. São Paulo: cidade azul. São Paulo: Alameda, 2012.

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

BURCH, Noel. Práxis do cinema. São Paulo: Perspectiva, 2006.

GONÇALVES, Mauricio R. Onda nova: Um olhar sobre os anos oitenta e o sujeito pós-moderno. http://socine.org.br/livro/XIII_ESTUDOS_SOCINE_V2.pdf. Último acesso em 23/11/2013.

PUCCI JR., Renato Luiz. Cinema brasileiro pós-moderno: o neon-realismo. Porto Alegre: Sulina, 2008.