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  Título
Circulação e Temáticas do Documentário Venezuelano (2005-2013)
Autor
Daniel Vicente Maggi Balliache
Resumo Expandido
Esta comunicação apresenta reflexões de uma pesquisa em andamento sobre os documentários venezuelanos em longa e média metragem lançados em salas de cinema desse país entre 2005 e 2013 desde a perspectiva das temáticas que desenvolveram essas obras.

2005 foi um ano importante para o meio cinematográfico venezuelano devido à reforma da Lei de Cinematografia Nacional de 1993. Dentre suas mudanças, destacamos particularmente a criação de verbas públicas específicas para documentários e o aumento de cotas de filmes nacionais no âmbito da distribuição e exibição cinematográfica. Também, certas políticas públicas ampliaram a ação do Estado na cinematografia com a fundação de uma produtora (Villa del Cine, 2005) e uma distribuidora (Amazonia Films, 2006) estatais; a criação de uma rede de salas regionais e comunitárias da Fundación Cinemateca Nacional (desde 2005) e várias emissoras de TV nacionais que financiam e exibem documentários.

Esses fatores, junto com outros próprios da dinâmica sociopolítica venezuelana, incrementaram o número de médias e longas-metragens documentários exibidos em salas de cinema a partir de 2005. Entre 1975 e 2004, apenas nove longas-metragens documentários foram lançados e exibidos no circuito comercial. No entanto, entre 2005 e 2013 o número chegou a 30. Tirando 15 filmes de 2008, que corresponderam a uma atividade especial de exibição organizada pelo Estado, a média é de dois longas lançados por ano. O circuito não comercial de salas da Cinemateca Nacional, pela sua parte, lançou 30 longas, 56 médias e 28 curtas-metragens.

Nesse sentido, atualmente trabalhamos na descrição do contexto de produção e circulação que envolveu a esses filmes: as instituições e atores relacionados e as leis e regramentos que regulam o setor cinematográfico, assim como a organização e depuração de uma filmografia documentária que organize os solapamentos e interferências entre as diferentes fontes estatísticas relacionadas com nosso corpus: as do Centro Nacional Autónomo de Cinematografia (CNAC), a Fundación Cinemateca Nacional (FCN) e instituições privadas. Este levantamento compreende também uma descrição do contexto sociopolítico da Venezuela durante a primeira década de 2000, marcado pela polarização entre partidários e opositores à revolução socialista do ex presidente Hugo Chávez (1953-2013), que descreveremos segundo a perspectiva da teoria das representações sociais.

Sobre este marco abre-se, em seguida, um segundo frente de trabalho em desenvolvimento: a valoração descritiva do nosso corpus, tomando como variável as temáticas desses documentários seguindo a obra de Julio Miranda (1989; 1994; 1997) e Tulio Hernández (1990), praticamente os únicos autores venezuelanos que escreveram especificamente sobre a história do documentário na Venezuela. Ambos os autores propõem linhas ou correntes para agrupar aproximadamente 300 filmes, a maioria curtas-metragens em 16 mm, produzidos entre 1965 e 1993. Essas linhas misturam temas específicos, temáticas gerais, abordagens associados a regimes narrativos e funções sociais.

A escolha não é por acaso. Resulta curiosa, para quem coteja essas linhas ou percursos com as filmografias venezuelanas de 1965 a 1999 e os documentários estreados entre 2005 e 2013, a recorrência de certos temas ou abordagens que já tinham capturado a atenção dos realizadores em décadas anteriores; temas que remetem ao que parece ser uma reflexão muito cara ao documentário venezuelano: a discussão sobre identidade e idiossincrasia nacional.

O trabalho, então, vai ao sentido da organização de estas linhas e seu contraste com as características estruturais de produção e circulação. O intuito é estabelecer linhas de coerência— para tomarmos o conceito discutido por Jean Claude Bernardet (2008, p. 51-53)— que dialoguem com as referências de Miranda e Hernández, estabeleçam novos percursos quando necessário, e deem conta das diferentes “posições” do documentário venezuelano no contexto social e cultural.
Bibliografia

BERNARDET, J-C. Historiografia clássica do cinema brasileiro. 2 Ed. São Paulo: Annablume, 2008.

BURTON, J.: The social documentary in Latin America. Pittsburgh: University of Pittsburgh, 1990.

HERNÁNDEZ, T.. El cine documental venezolano. En: ___ (Ed.). Pensar en Cine. 1ª edição. Caracas: CONAC, série En Foco, 1990, p. 73-92

MIRANDA, J. El cine que nos ve: materiales críticos sobre el documental venezolano. 1ª edição. Caracas: Col. Medio Siglo Contraloría General de la República, 1989.

MIRANDA, J. Palabras sobre imágenes: 30 años de cine venezolano. 1ª edição. Caracas: Monte Ávila Editores Latinoamericana, 1994.

MIRANDA, J.: Treinta Años de Cine Documental. In: HERNÁNDEZ(coord.) Panorama Histórico del Cine em Venezuela 1896-1993. I ed.; Caracas: Fundación Cinemateca Nacional, 1997, p. 91-103.

NÚÑEZ, F. O que é o Nuevo Cine Latinoamericano. O Cinema Moderno na América Latina segundo as revistas cinematográficas especializadas latino-americanas. Tese. Doutorado em Comunicação. UFF, 2009