/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Morte de um burocrata: leituras do burocratismo à cubana
Autor
RODRIGO rodrigues tavares
Resumo Expandido
Antes dos desdobramentos kafkianos do aparato soviético, o jovem Marx já se via envolto pelo burocratismo e notava que o fenômeno era uma relação social que dominava os próprios responsáveis pelas decisões. Previa, no entanto, que com a abolição da propriedade privada dos meios de produção, a questão desaparecesse: as revoluções do século XX não confirmaram o prognóstico. O filme “A morte de um burocrata”, de 1966, traz a visão do cineasta cubano Tomás Gutiérrez Alea sobre o problema a partir da experiência revolucionária da ilha caribenha. Sucesso de público, 1,4 milhões de espectadores, e considerado pela crítica um dos melhores filmes da história do cinema cubano, a película influenciou a discussão sobre o assunto. O objetivo da comunicação é ler “A morte de um burocrata” relacionando-o com o debate sobre o tema do burocratismo que ocorria em Cuba, especialmente nos escritos de Che Guevara e no jornal Granma. Che Guevara em 1963 já estava preocupado com a questão, apontava suas causas e propunha uma guerra contra o burocratismo, e o periódico Granma publicou uma série de matérias sobre o assunto, sendo que uma coleção de charges utilizando a figura do burocrata é de nosso particular interesse.

O Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC) possibilitou uma importante produção cinematográfica na ilha e, ao contrário do que ocorria na URSS, permitia um ambiente com certo grau de autonomia, discussão e experimentação estética. O próprio Tomás Gutiérrez Alea acreditava no papel do cinema como consciência crítica da revolução. No filme, um “obrero exemplar” é enterrado com sua carteira de trabalho e a família passa a esbarrar em uma série de obstáculos burocráticos. Atrás de uma escrivaninha, envoltos em papéis e carimbos, e, eventualmente, com terno e gravata e grossos óculos, os burocratas se distanciam do cidadão cubano. Local central no filme, é o atelier de artes gráficas que, a partir de modelos inspirados no realismo socialista soviético, busca, ironicamente, desenvolver uma campanha contra o burocratismo em Cuba.

Assim, a crítica mordaz empreendida pelo filme será feita por meio de aproximações e distanciamentos em relação a leitura do fenômeno empreendida por Che Guevara e, também, pela leitura feita pelo Gramna da figura do burocrata antes e depois do lançamento do filme.

Bibliografia

BERMÚDEZ, Jorge R. La imagen constante: el cartel cubano del siglo XX. La Habana, Cuba: Editorial Letras Cubanas, 2000.

CUSHING, Lincoln. Revolución!: Cuban Poster Art. San Francisco: Chronicle Books, 2003

FERNÁNDEZ-SANTOS, Francisco, and José Martínez. Cuba: una revolución en marcha. [Paris]: Ediciones Ruedo Ibérico, 1967.

GUEVARA, Ernesto. Contra el burocratismo. In___. Obras escogidas. La Habana: Ciencias Sociales, 2001. v.2.

MANDEL, Ernest. Análisis marxista de la burocracia socialista. Buenos Aires: Centro Editor, s. d.

VILLAÇA, Mariana Martins.O Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC) e a política cultural em Cuba (1959-1991). 2006. Tese (Doutorado em História Social) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, University of São Paulo, São Paulo, 2006.