/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Através de Potências Estéticas [Multiálogos Audiovisuais Na Nuvem]
Autor
MILENA SZAFIR
Resumo Expandido
Esta comunicação tem por objetivo propor um exame sobre as [diferentes] estéticas audiovisuais trazidas pelas habituais práticas na internet 'atual' [em nuvem]. Tal produção [in]específica nos induziu a visitar algumas noções, muitas vezes relacionadas às artes visuais e às linguagens-dispositivos do cinema expandido ao live images e vídeos-interativos em rede.



O campo ao qual a estética se volta não é a arte, mas uma realidade corporal como forma de cognição através de todos os sentidos possíveis [percepção através dos sentimentos]. Do analógico, eletrônico ao digital, são os gestos que dão feição às linguagens audiovisuais. Instinto-gestualidades que trabalham antes a experiência sensível-sensorial à cultura[lização] das formas, o imaginário sobre o empírico, a ilusão mais do que a ideia de real. Atualizam-se comportamentos habituais, em que um [ex-]espectador é afetado [despertado]. Nascem formas estéticas como um hábito emergente, característico de épocas históricas em transformação, que guiam a recepção além óptica [extra-contemplação], em narrativas audiovisuais oriundas do/no espaço “público” de mentes [memórias] coletivas.



Na tentativa de descrever um viés analítico sobre as ocorrências do audiovisual contemporâneo frente aos estudos artístico-cinematográficos em órbita, sugerimos alguns termos – ideias em esboço (conceitos em construção) – tais como “clouding audiovisual aesthetics” e “memórias afetivas”. Experimentações ensaísticas como diálogos – retóricas audiovisuais – que se estabelecem através da coordenação-argumentação reflexiva entre os componentes gráficos, visuais e sonoros à disposição, em processos de busca e montagem [in]conscientes no enorme [des]encontro do banco-de-dados existente online. Ou seja, estéticas do “remarkable”: políticas e éticas em atravessamentos no tempo real como fluxos midiáticos de efetiva potência, manifestações hipermidiáticas de construção de sensações-emoções e acepções-interpretações que existem na [ou para a] Internet via “apropriação dos mecanismos de produção da representação [visibilidade]”.



Desta maneira, apresentaremos um leque de possibilidades estéticas desta 'novíssima' arte cinematográfica [em seu sentido etimológico] que se insere no que denominamos como “Pós-Remix”, ie uma era de videografias que apresentam uma nova maneira de desenvolvimento e espectatorialidade das narrativas audiovisuais. Em comum são 'obras' realizadas ao longo dos últimos cinco anos e que propõem uma participação do espectador. Ainda que se insiram no conceito “Remix”, o ultrapassam em suas especificidades características. Desde as séries de manifestações ao redor do mundo [caracterizadas por estratégias de compartilhamento via mobile live streaming, dentre outras] aos experimentos de ensino-aprendizagem – além videoarte – que se utilizam do material “disponível” nos repositórios online, reiteramos pós-cinematografias como “The Wilderness Downtown” (2011). Desenvolvida no GoogleLabs em parceiria com Chris Milk e Aaron Koblin, [re]apresentou uma 'nova' possibilidade de narrativa audiovisual na nuvem. Diferentemente daquele “formato YouTube”, onde a maneira do assistir a um material audiovisual já havia sido transformada, agora – com os exemplos mapeados ao longo da pesquisa em doutoramento – novamente nasce uma percepção distinta e uma recepção aparentemente desfigurada daquela proposta inicialmente pelo cinema. Em particular, via HTML5 [interligado a APIs, metadados, links etc], experimentos que se apresentam desde diversas janelas também abertas, mas pré-dispostas 'em choques' para gerar uma outra espectatorialidade do discurso presente: imagens em movimento que dialogam e nos convidam a uma espécie de atenção somatória nelas para que melhor possamos acompanhar as retóricas propostas que sucedem. Ou talvez “não tanto através da atenção(…)[mas desde tarefas que, apresentadas ao aparelho de percepção humana,] só são dominadas gradualmente, pelo hábito, após a aproximação da recepção táctil".
Bibliografia

BENJAMIN, W. Obras Escolhidas, vol.1. Brasiliense: São Paulo, 1993.

BUCK-MORSS, S. The Dialectics of Seeing. MIT Press: Cambridge 1991.

DOANE, M. Emergence of Cinematic Time. Harvard Univ: Cambridge, 2002.

DUBOIS, P. Cinema, vídeo, Godard. Cosac Naify: São Paulo, 2004.

FLUSSER. V. Los Gestos. Herder: Barcelona, 1994.

GINZBURG, C. Medo, Reverência, Terror. Cia das Letras: São Paulo, 2014.

HAMBURGER, E. Políticas da Representação. In: Mourão, D.; Labaki, A. (org.). O Cinema do Real. São Paulo: Cosac Naif, 2005.

JAMESON, F. Marcas do visível. Rio de Janeiro: Graal, 1995.

MACHADO, A. Pré-Cinemas e Pós-Cinemas. Papirus: São Paulo, 2007.

MANOVICH, L. Visualizing Vertov, 2014. Disponível em: < http://goo.gl/J2riNb >, acesso em fevereiro/2014.

MEEK, A. Trauma and media. New York : Routledge, 2010.

NAVAS, E. Remix Theory: The Aesthetics of Sampling. Springer-Verlag/Wien: New York, 2012.

SZAFIR, M. The 'State of Art' at Online Video Issue. 2012 < http://goo.gl/SJ1oMh >, acesso em jan/2014.