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  Título
As Sinfonias Urbanas: Conceito e Desdobramentos
Autor
Fernanda Aguiar Carneiro Martins
Resumo Expandido


Rumo às origens das chamadas "sinfonias urbanas", verifica-se a importância do artista húngaro László Moholy-Nagy, autor do roteiro, que embora jamais tenha sido transposto para a tela de cinema, permanece sendo emblemático. Moholy-Nagy defendia que um cinema, longe de se restringir à representação dramática e à encenação teatral. Tendo em vista que era um dos artistas mais importantes da escola Bauhaus, junto com Paul Klee e Wassily Kandinsky, Moholy-Nagy via o futuro do cinema no aperfeiçoamento da técnica, do uso criativo da câmera e da exploração do potencial não mimético da imagem fotográfica. Em seu "roteiro-manifesto", "Dynamic of the Metropolis" (escrito em 1921-1922, mas publicado apenas em 1924), Moholy-Nagy expõe suas ideias. Em apenas treze páginas, seu projeto de curta-metragem experimental se vale da cidade como protagonista - negando totalmente a utilização de set de filmagem, embora favorável à criação de um filme eminentemente plástico.



Sem dúvida, com Moholy-Nagy, deflagramos ideias centrais na origem do conceito. Ainda na mesma década, uma série de filmes da vanguarda norte-americana demonstra que as "sinfonias das grandes cidades" ultrapassam o solo europeu. Eis o caso do trabalho de fotógrafos então cineastas como Paul Strand e Charles Sheeler, além do de Robert Flaherty - precisamente, "Manhatta" (1921), de P. Strand e C. Sheeler, "A Ilha de 24 dólares" (1926), de R. Flaherty, próprio "Moscou" (1924) de Mikhail Kaufman. Sem contar a produção da tríade Cavalcanti-Ruttmann-Vertov, legado fundamental para a História do Cinema, diversos outros títulos costumam ser integrados a esse gênero de filmes, envolvendo nomes como Jean Vigo, Manoel de Oliveira, entre tantos outros.



Atualmente observamos que a designação se popularizou, o próprio filme "Berlim, Sinfonia de uma Grande Cidade" (1927), de W. Ruttmann, considerado paradigmático do gênero, possui uma nova versão. Cabe, pois, investigar os alcances e limites do conceito. Para tanto, cabe igualmente elaborar e delimitar uma filmografia, melhor situando as sinfonias urbanas desde seus primórdios aos dias atuais.
Bibliografia





BORDWELL David; THOMPSON Kristin. "Film History: an Introduction", New York/London: McGraw-Hill, 1994.



MARTINS, Fernanda. "Les Symphonies Urbaines: Origines et Inventeurs" In. OLIVEIRA, Humberto et al. (org.), "Voix et Images de la Diversité", Paris: L´Harmattan, 2013.



MICHELSON, Annette (org.). "Kino-eye: Writings of Dziga Vertov", London/ California: University of California Press, 1984.



MOHOLY-NAGY, László. "Painting Photography Film - 1925", Trans. Janet Seligman. Cambridge/Mass.: MIT Press, 1973.



SHAPINS, Jesse. "A Filmic Map of Moscow: Travelling through Mikhail’s City Symphony Moscow",Harvard University, mimeo, 2008.