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  Título
O filme espírita brasileiro: entre dois mundos
Autor
Alfredo Luiz Paes de Oliveira Suppia
Coautor
Laura Loguercio Cánepa
Resumo Expandido
Este trabalho tem como objetivo investigar um gênero cinematográfico que tem particular proeminência no cinema brasileiro: o filme espírita.



O Kardecismo e suas variações têm encontrado um ambiente acolhedor na sociedade brasileira, e a popularidade do Espiritismo no Brasil tem tido um impacto em uma variedade de produtos culturais, como livros, novelas, peças de teatro e filmes. Referências ao Kardecismo – e, sob uma perspectiva mais ampla, ao Espiritismo, muitas vezes ligado às tradições religiosas afro-brasileiras - podem ser encontradas em um número significativo de filmes brasileiros.



O Jovem Tataravô (1936), de Luiz de Barros, é apenas um dos primeiros filmes em que a doutrina espírita aparece no contexto da cultura local brasileira, com um toque bem-humorado. O filme espiritualista reaparece misturado com a narrativa policial e o filme de horror em produções como Excitação (1977), de Jean Garrett, e também no filme-catástrofe Joelma – 23 Andar (1980), de Clery Cunha. Mais recentemente, um renascimento do cinema espírita brasileiro parece estar em andamento.



Alguns filmes espiritualistas recentes - especialmente as adaptações de best-sellers de Chico Xavier, assim como os filmes produzidos por Sidney Girão, como Bezerra de Menezes: O Diário de um a Espírito (2008) - foram alcançando importante sucesso comercial. Em meio a essa recente onda de filmes espíritas, há também notável mistura com o imaginário e a iconografia da ficção científica, como em Nosso Lar (2010), de Wagner de Assis, e principalmente Área Q (2011), de Gerson Sanginitto.



Dada a ampla aceitação do espiritismo no Brasil, este trabalho também sugere que representações cinemáticas dessa doutrina têm sido fundamentais no sentido de adaptar o repertório do público brasileiro a gêneros audiovisuais supostamente estrangeiros.
Bibliografia

CÁNEPA, L. “Notas para pensar a onda de filmes espíritas no Brasil.” São Paulo, Revista Rumores, Vol. 7, n. 13, janeiro-junho 2013.

CAUSO, R. Ficção científica, fantasia e horror no Brasil (1875 a 1950). Belo Horizonte: UFMG, 2003. 337 pp.

FELINTO, E. A religião das máquinas: ensaios sobre o imaginário da cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2005.

SUPPIA, A. Atmosfera rarefeita: A ficção-científica no cinema brasileiro. São Paulo: Devir, 2013.

STOLL, S. J. Espiritismo à brasileira. São Paulo: Edusp/Orion, 2004.

VADICO, L. A. “O campo do filme religioso”. In: XVIII ENCONTRO DA COMPÓS (Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação), Rio de Janeiro, 2010.