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  Título
O espaço desencadeia o desejo - O corpo e a câmera em Tóquio
Autor
Regiane Akemi Ishii
Resumo Expandido
Nosso interesse recai sobre a relação entre cinema e cidade por meio de construções que organizam afetivamente deslocamentos de corpos no espaço urbano da capital japonesa. Partindo da ideia de “emoção geográfica”, desenvolvida por Giuliana Bruno em “Atlas of Emotion – Journeys in Art, Architecture, and Film” (2002), e das jornadas percorridas por alguns filmes de diretores não-japoneses, exploramos possíveis relações entre os tempos/espaços narrativos e a arquitetura de Tóquio. Mais do que espaço que abriga a narrativa, a cidade aparece em certa produção recente permeada pela perspectiva estrangeira, algo que nos interessa particularmente. Na relação diretor/narrador-personagem-cidade, refletimos sobre como os corpos ativam o espaço e desencadeiam conjuntos de afetos.



Como um complexo trânsito de identificações, onde as narrativas não apenas circunscrevem o olhar, como também se alimentam da relação intensa entre os corpos e a cidade, o cinema aparece como o meio em que a perambulação (dos diretores, transmutadas pelo grande olho e ouvido do “meganarrador” e dos olhares e ouvidos dos personagens) conecta a experiência física com questões de gênero e de nação.



Surge um terreno fértil para mapear os desejos imbricados nos fascínios e embates com a paisagem urbana a partir de quem é de fora (os diretores desta filmografia não são japoneses e é justamente esse “embate” com “outro lugar” que nos motiva). Gostaríamos de pensar de que maneira se dá o sentimento de estranheza nas relações construídas em Tóquio, como uma cidade cinematográfica delineada como um mapa de passagens, migrações e erotismos. Entre os filmes, podemos citar “Encontros e Desencontros” (“Lost in Translation”), de Sofia Coppola, 2003, “Babel”, de Alejandro Gonzalez Iñarritu, 2006, “Tokyo!”, de Joon-ho Bong, Leos Carax e Michel Gondry, 2008, “Enter the Void”, de Gaspar Noe, 2009, “Map of the Sounds of Tokyo”, de Isabel Coixet, 2009, e “Um Alguém Apaixonado” (“Like Someone in Love”), de Abbas Kiarostami, 2012.



Podemos identificar, entre numerosas possibilidades, tanto uma postura contemplativa por meio de personagens que observam a paisagem pelas janelas dos carros, como a chegada e a despedida de Bob Harris (Bill Murray) em Tóquio, no filme “Encontros e Desencontros”, quanto um maior engajamento de corpos que se submetem a descer nos ambientes do submundo da cidade, presente, por exemplo, nos bordéis de “Enter the Void”.



Após as décadas do pós-guerra, é notável a significativa presença de diretores não-japoneses em Tóquio na década de 2000. Assim, gostaríamos de sinalizar algumas mudanças e recorrências no modo de filmá-la.
Bibliografia

BARBER, Stephen. Projected cities. London: Reaktion Books, 2002.

BRUNO, Giuliana. Atlas of Emotion: Journeys in Art, Architecture and Film. Londres: Verso, 2007.

BRUNO, Giuliana. Public Intimacy: Architecture and the Visual Arts. Londres: MIT, 2007.

DELEUZE, Gilles. A Imagem-Tempo. São Paulo: Brasiliense, 2007.

GREINER, Christine; FERNANDES, Ricardo Muniz (orgs.). Tokyogaqui: um Japão imaginado. São Paulo: Edições SESC SP, 2008.

KOOLHAAS, Rem; OBRIST, Hans Ulrich. Project Japan Metabolism Talks... Köln: Taschen, 2012.

MAGEE, Chris. World Film Locations: Tokyo. Londres: Intellect Books, 2011.

RICHIE, Donald. A Lateral View: Essays on Culture and Style in Contemporary Japan. Berkeley: Stone Bridge Press, 1992.

WORRALL, Julian; SOLOMON, Erez Golani. 21st century Tokyo: a guide to contemporary architecture. Tóquio: Kodansha International, 2010.