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  Título
O menino e o mundo: arte e imaginário na produção de animação
Autor
Giuliano Jorge Magalhães da Silva
Resumo Expandido
Este trabalho tem como intuito analisar o processo criativo e de difusão do longa-metragem de animação O menino e o mundo, de maneira a relacionar suas propriedades de gênero (animação), público alvo (infanto-juveil) e propostas estéticas, aliadas a recepção, a concepção sensorial atribuída a obra final, e ao processo de distribuição do filme.

A esta perspectiva sensorial do audiovisual, podemos relacionar o seu valor enquanto obra de arte, movimentando um complexo de sentimentos, pensamentos e atividades que irão reverberar na apropriação estética, na formação de gostos, no pensamento crítico e na ampliação de repertório cultural.

Ao narrar a história de um menino em busca pelo pai, O menino e o mundo (2014), longa-metragem dirigido por Alê Abreu, nos transporta a um mundo de cores pinceladas numa tela branca, quase nos indicando a arte de realizar uma animação – um processo íntimo, no caso particular do filme, que desenrola pela relação entre autor e obra e que, logo, será apropriado por crianças e adultos de diferentes idades.

Não se trata de acomodar produções como O menino e o mundo na categoria de cinema de arte, mas de investigar propriedades de linguagem divergentes do cinema e audiovisual hegemônico e de "padrões comerciais". As divergências com o mainstream ainda se propagam em diversos planos: no ato de animar, na criação da história, na concepção e na recepção da obra, na sua distribuição, dentre outros fatores.

É válido pontuar que, por mais que exista um conjunto de variáveis que torna a obra divergente do processo hegemônico, a obra se arma de artifícios da indústria para inserção nas salas de cinema e demais janelas, como a pesquisa encomendada pela equipe de O menino e o mundo, feita por questionário em duas sessões exclusivas realizadas no Cinema Itaú do Shopping Bourbon, em São Paulo. Esta iniciativa encontra um processo que Walter Benjamin destaca como massificação da arte, no qual a massa "é a matriz de onde emana no mundo atual, todo um conjunto de atitudes novas em relação à arte. Visto que o crescimento maciço do número de participantes transformou o seu modo de participação, Benjamin afirma que 'a quantidade tornou-se qualidade'" (apud SOUZA, 2012: 47). Veremos que, em O menino e o mundo, o próprio movimento de manter o filme nas salas de cinema encontra características que permutam a linha "artesanal" e industrial cinematográfica.

Atentamos portanto, nesta pesquisa, para alguns pontos de investigaçao: a discussão sobre a animação aliada a audiência infantil – e consequentemente, o cinema infantil – enquanto gênero, nicho ou circuito cinematográfico; a relação entre a produção de animação (sua forma, conteúdo e propostas estética) e a distribuição (público alvo e mercado); o cinema, independente de seu “rótulo”, infantil ou nao, atribuindo repertório para a infância; e a identidade múltipla de um projeto, a partir de conflitos e combinações entre os movimentos de criação e de difusão da obra.

Bibliografia

ALTMAN, Rick. Film Genre. Londres: British Film Institute, 1999.

ANDREWS, Ian W. Chidren’s Films: history, ideology, pedagogy, theory. New York: Garland Publishing INC., 2000.

BENJAMIN, Walter. Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Editora 34, 2009.

DENIS, Sébastien. O cinema de animação. Lisboa: Edições Texto & Grafia, 2010.

LEITE, Márcia. TV e realidade: produção social e apropriação pedagógica. IN: PACHECO, Elza. Televisão, criança, imaginário e educação. Campinas, Papirus, 1998.

PACHECO, Elza. Infância, cotidiano e imaginário no terceiro milênio: dos folguedos infantis à diversão digitalizada. IN: PACHECO, Elza. Televisão, criança, imaginário e educação. Campinas, Papirus, 1998.

SOUZA, Solange J. Infância e Linguagem – Bakhtin, Vygotsky e Benjamin. Campinas: Papirus, 2012.

ULIN, J. The business of media distribution: monetizing film, TV and video content in an online world. Burlington: Focal Press, 2010.