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  Título
Esconde-esconde: narrativa transmídia subestimada pela TV brasileira
Autor
Vicente Gosciola
Resumo Expandido
As emissoras brasileiras têm demonstrado, há muito tempo, enorme competência em produção de conteúdo. A exportação de telenovelas e de outros formatos audiovisuais de ficção e documentário fazem parte do grande fluxo de entretenimento mundial. Chega a competir de igual para igual a grandes conglomerados de comunicação. Contudo, os formatos são pouco atualizados por aqui. Ao contrário, o cenário internacional está apresentando novidades em formato, especialmente em narrativa transmídia. Transmedia storytelling, como foi nomeada pela primeira vez no final da década de 1990 nos EUA, ou narrativa transmídia, como chamamos no Brasil, é uma estratégia de comunicação que organiza de maneira coesa as diversas narrativas que componham uma determinada história, distribuindo-as pelas plataformas que melhor possam expressá-las. É fato que tal integração demanda maior produção de conteúdos e de plataformas, o que já poderia ser um definitivo impedimento, entretanto, por força das tecnologias de comunicação que popularizam mais e mais o acesso à web de banda larga e sem fio, o público está cada vez mais nômade, não só fisicamente como também em termos de telas. O público pode assistir a um capítulo de telenovela em momentos diferentes ao previsto na grade convencional das emissoras, em locais diferentes para além de sua casa, em telas diferentes, etc. Já é consenso entre as emissoras, tanto aqui quanto no exterior, que não é mais recomendável a confortável posição de oferecer entretenimento somente através de uma agenda rígida, ignorando o nomadismo da audiência. Mesmo assim, é notável a diferença entre os produtos audiovisuais transmídias, especialmente do norte da Europa e na América do Norte, e a tímida experiência brasileira nessa modalidade comunicacional. É este o objetivo desta proposta, apresentar um comparativo crítico entre os produtos que se dizem narrativa transmídia no Brasil e o mesmo tipo de conteúdo produzido nos países citados acima. Cabe uma ressalva: não se trata de verificar as produções em termos quantitativos, ainda que isso também possa significar uma grande chance de tomarmos contato com mais produtos realmente transmídias. O que buscamos neste trabalho é comparar os produtos brasileiros que se dizem estruturados em narrativa transmídia com os produtos estrangeiros de mesma classificação. Sendo assim, verificando o alcance transmidiático nacional ao confrontá-lo com o que se pratica em outras localidades, esperamos constituir um marco realista do potencial inovador da televisão brasileira. Sim, sabemos do potencial criativo dos artistas e técnicos de nossas emissoras, mas será que isso é o suficiente para existir no país uma produção cultural atualizada como a dos países do dito “primeiro mundo”? Será que podemos dizer que a nossa TV é de “primeiro mundo” e assim avança ou estará ela fazendo o melhor que pode com as mesmas estratégias de comunicação da década de 1950? A sensação inicial que nos chama a atenção diante dessas questões é que há um jogo de esconde-esconde entre os profissionais da TV brasileira, isto é, sabemos do que se trata a narrativa transmídia, temos as melhores ideias e os melhores criadores para fazer uso dela, mas nada será oferecido em grande estilo transmidiático por aqui. Estamos fingindo que fazemos narrativa transmídia, estamos fingindo que consumimos narrativa transmídia, mas, por enquanto, tudo se esconde, represado por um conjunto de variáveis que tentaremos identificar observando o contexto daquilo que é veiculado e anunciado como narrativa transmídia.
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