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  Título
O ritmo da montagem nos remixes publicitários de Jonathan McIntosh
Autor
Guilherme Bento de Faria Lima
Resumo Expandido
Jonathan McIntosh trabalha com fragmentos de vídeos, filmes e áudios na tentativa de uma investigação profunda acerca seus significados dentro de um contexto sociocultural. Durante o processo de edição destes elementos sua perspectiva é estruturar novas e alternativas narrativas. Ou seja, busca ressignificar o material bruto com o qual trabalha criando novas mensagens.

Seu trabalho de remix começa em 2003 com a articulação das imagens da transmissão da Guerra do Iraque com imagens publicitárias de empresas que, de alguma forma, financiavam o desenvolvimento armamentista norte-americano. Desenvolve articulações entre desenhos animados e locuções radiofônicas, trechos de filmes e vídeos institucionais, imagens de debate político e imagens de programa de auditório, entre outras combinações. Sempre com a premissa estética de gerar no espectador uma forma mais crítica de visualizar imagens e, principalmente, mensagens audiovisuais.

Na perspectiva de Tarkovski o elemento mais significativo da imagem é o ritmo e a montagem para ser realizada de forma competente deve ser capaz de observar e esculpir o tempo presente no interior de cada frame. O cineasta russo defende que o principal elemento do cinema é o ritmo e a montagem consiste, justamente, em juntar imagens de diferentes durações temporais.

Em perspectiva similar, Karen Pearlman, em seu livro Cutting Rhythms, aponta a existência de um discurso comum entre muitos editores que declaram a existência de uma intuição rítmica que, durante o processo de montagem, opera como um elemento essencial para a decisão do corte. Ou seja, o ritmo de cada imagem como aspecto fundamental para realização da montagem. A autora australiana busca investigar, assim, o processo de percepção e os parâmetros que condicionam o pensamento intuitivo.

Cabe destacar também que, de acordo com a análise apresentada por George Didi-Huberman, em Sobrevivência dos vagalumes, a sensibilidade do olhar é um fator determinante para a percepção dos lampejos, das histórias menores que permanecem nas entrelinhas das imagens e que podem ser recuperadas através do gesto de reapropriação. As novas informações contidas nas “imagens-vaga-lumes” que podem ser observadas a partir de um outro ritmo, de uma outra articulação.

Neste sentido, o presente artigo propõe, através da análise crítica das imagens em diálogo com teorias de montagem que enfatizam o ritmo como elemento preponderante, investigar o processo criativo desenvolvido por Jonathan McIntosh em seus remixes publicitários disponibilizados na Internet. Esta investigação pretende avaliar, também, as opções estéticas do artista ao selecionar e estabelecer conexões entre os arquivos midiáticos selecionados.

Bibliografia

DANCYGER, Ken. Técnicas de Edição para Cinema e Vídeo: história, teoria e prática. Rio de Janeiro. Elsevier, 2003.

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro, RJ: Contraponto, 2008.

DIDI-HUBERMAN, Georges. Sobrevivência dos vaga-lumes. Belo Horizonte. UFMG, 2011.

ELSAESSER, Thomas. Harun Farocki – Working on the Sightlines. Amsterdam University Press, 2004.

MACHIN, D. & JAWORSKI, A. Archive video footage in news: creating a likeness and index of the phenomenal world. Visual Communication 2006.

MICHAUD, Philippe-Alain. Aby Warburg e a imagem em movimento. Rio de Janeiro. Contraponto, 2013.

MURCH, Walter. Num Piscar de Olhos. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed., 2004.

PEARLMAN, Karen. Cutting Rhythms. Burlington, MA: Focal Press, 2013.

REISZ, Karel & MILLAR, Gavin. A Técnica da Montagem Cinematográfica. Rio de Janeiro. Ed. Civilização Brasileira, 1978.

TARKOVSKI, Andrei. Esculpir o tempo. São Paulo. Martins Fontes, 1998.

http://www.rebelliouspixels.com/