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  Título
Self-videos do Instagram: entre vídeo e fotografia
Autor
FABIO GOMES GOVEIA
Resumo Expandido
A complexidade das relações sociais contemporâneas aproximaram áreas do conhecimento que antes pareciam díspares. Nesse contexto, por exemplo, de um lado temos pesquisadores das humanidades que se voltam para a compreensão do estabelecimento de novos tipos de grupos sociais oriundos de uma sociedade conectada por dispositivos informáticos; de outro lado aparecem cientistas ligados ao universo das ciências exatas que tentam desenvolver ferramentas para mensurar a capacidade de processamento de dados em grandes quantidades a partir do uso de computadores em escala global.



O campo das artes e em específico do audiovisual situa-se exatamente na fronteira deste fenômeno. O uso de ferramentas de Big Data abre a possibilidade de realizar investigações com grandes volumes de imagens, sejam elas fotografias, vídeos ou ilustrações. Contudo essa novíssima área demanda o desenvolvimento de ferramentas apropriadas para a coleta, o processamento, a análise e a visualização de pesquisas. Esta proposta apresenta uma experiência inicial com o uso de scripts e softwares desenvolvidos pelo Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) na investigação de vídeos.



O objeto proposto para este estudo é a análise do uso de micro-vídeos da rede social Instagram. A possibilidade de inserir vídeos surgiu em junho de 2013, acompanhando a tendência de outros sites, como Vine. Esta modalidade de plublicação on line permite o compartilhamento de vídeos de até 15 segundos de duração. Como o site de relacionamento é um dos mais populares no que diz respeito à divulgação de fotografias, cabe investigar como o uso de videos pode se aproximar ou se afastar do comportamento da divulgação de fotografias. A hipótese deste trabalho é que há transferência do estilo selfies (contração da expressão self-portrait - auto-retrato -, e como passaram a ser chamadas essas imagens) da fotografia para os micro-vídeos, convertendo a rede social e local privilegiado para o estudo dos selfie-videos.



Para averiguar esta possibilidade, realizamos a coleta de vídeos postados com a hashtag #vemprarua desde a criação da possiblidade de postagem de vídeos no Instagram. A captura de milhares de publicações nos lançou ao desafio de estudar grandes volumes de vídeos. Assim a partir de softwares apropriados fizemos a análise do material audiovisual, clusterizando automaticamente a partir da cor e do brilho predominante em cada micro-vídeo. Desta feita, pudemos concluir provisoriamente que houve uma reprodução da lógica selfie nos vídeos. Apesar disso essa afirmação é temporária, já que novas investigações e análises seguem em curso e as considerações aqui são resultado de uma pesquisa em fase inicial. Apesar disso, o predomínio de selfievideos num grupo que estava compartilhando informações com uma categoria específica como o uso da tag #vemprarua revela de antemão que as questões sociais foram deixadas de lado em função de uma imagem mais voltada para a preservação de uma estética já consolidada na rede social Instagram.
Bibliografia

GOVEIA, Fábio; CARREIRA, Lia. Fotografia e Big Data: implicações metodológicas. In: XXXVI Congresso Brasileiro De Ciências Da Comunicação Intercom, 2013, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 15 jan 2014

MALINI, Fábio; ANTOUN, Henrique. A internet e a rua: ciberativismo e mobilização nas redes sociais/ Fábio Malini e Henrique Antoun. – Porto Alegre: Sulina, 2013

MANOVICH, Lev. “What is Visualization?”.Publicado em: outubro 2011. Disponível em: . Acesso em: 23 abril 2014.