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  Título
Por um cinema africano no feminino
Autor
Janaína Oliveira
Resumo Expandido
Desde que a senegalesa Safi Faye fez seu filme em 1972, a produção de filmes dirigidos por mulheres aumentou consideravelmente no continente africano. Ainda assim, a participação feminina no universo de realização de filmes é pequena quando comparada às produções dirigidas por homens. E é relativamente recente a organização feminina africana em torno da produção na reivindicação de políticas de reconhecimento e apoio.



A comunicação ora proposta pretende apresentar um panorama desses quarenta anos de filmes feitos por mulheres em África, com ênfase no movimento recente que vem acontecendo em Burkina Faso, onde ocorrem as Journées Cinématographiques de la Femme Africaine de l’Image, mostra de cinema organizado pelo FESPACO, Festival Pan-africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou, que é nada mais que o festival de cinema mais importante da África.



Em 1991, durante a 12a edição do FESPACO, as profissionais da indústria cinematográfica participaram de um workshop organizado pela FEPACI (Federação Panafricana de Cineastas) para discutir a participação da mulher africana no campo do audiovisual no continente. Como resultado dos debates realizados, as participantes apontaram como principais dilemas a serem enfrentados as seguintes questões: a constatação da presença reduzida de mulheres nas indústrias de filmes e vídeos; a ausência de formação profissional em todos os meios da criação e da produção audiovisuais; e as dificuldades de acesso à informação e à circulação em termos de formação e financiamento.



Também como resultado das reflexões no workshop, foi assinalado a necessidade da busca de parcerias que incentivassem e possibilitassem financeiramente a presença de mulheres profissionais de imagem em festivais. Assim que em 2010, vinte anos após este workshop, a direção geral do FESPACO criou as JCFA, Jornadas Cinematográficas da Mulher Africana da Imagem, com objetivo de ampliar a participação feminina em todas as esferas das produções audiovisuais, sejam elas para cinema ou televisão.



As JCFA representam um marco importante no contexto do cinema da África do Oeste pois não só destacam o protagonismo feminino em todas as esferas da produção audiovisual, mas o faz de forma a buscar uma conexão entre mulheres de diversas partes do continente. As Jornadas estão em sua terceira edição e começam a seguir a tendência panafricana do FESPACO, passando a contar também com participações internacionais. Em 2014, além de pesquisadoras brasileiras, estiveram presentes cineastas do Caribe, representando a produção cinematográfica da diáspora, e também realizadoras de Camarões, Niger e Benin.

No que diz respeito à organização da produção audiovisual feminina, Burkina Faso se apresenta como um lugar muito interessante. Pois, além das Journnés, há lá a União Nacional das Mulheres de Imagem de Burkina (UNAFIB), uma associação que vem pleiteando e promovendo mudanças no quadro atual da cinematografia local. Merece análise também a presença de mulheres nas escolas locais de formação audiovisual e o destaque dos filmes por elas produzidos. Nas últimas duas edições do FESPACO, por exemplo, duas jovens cineastas burkinabês, Eleonore Yameogo e Zalissa Zoungrana, tiveram seus filmes premiados.



Ainda sobre a formação, é importante também na história das mulheres de imagem de Burkina, a passagem de algumas delas pelo INAFEC, lnstitut d’Education Cinématographique de Ouagadougou, a primeira escola de formação, produção e distribuição de cinema do continente que existiu entre 1977 -1987. A cineasta e diretora das JCFA, Fanta Regina Nacro, por exemplo, faz parte dessa geração. Estes são alguns dos aspectos que a comunicação proposta pretente explorar, pois considerando que falar da história do cinema em Burkina Faso é falar de parte importante da história do cinema africano, se faz necessário também refletirmos sobre a participação feminina neste contexto.

Bibliografia

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