/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Reconfiguração, Repetição e Estética Das Narrativas em Portais de Emis
Autor
Soraya Maria Ferreira Vieira
Resumo Expandido
Partimos dos resultados da nossa pesquisa anterior sobre: “A estética e a reconfiguração das narrativas e linguagens audiovisuais e hipermidiáticas no cenário de convergência de mídia” quando fizemos o mapeamento de como vem sendo alterado o novo ambiente midiático propiciado principalmente pela convergência e transição do sistema analógico para o digital nos canais abertos e fechados brasileiros. Concluímos que a Televisão ao passar para as novas plataformas, se repete, mas também reconfigura suas narrativas, ainda que de maneira tímida. Estamos nos referindo em especial a Rede Globo, GNT. Agora de posse desse resultado, em que estamos no processo de finalização dos dados, se faz necessário pensar categorias para averiguar as fronteiras das linguagens e suas estéticas que por questões mercadológicas traçam estratégias nas diferentes mídias, propiciando o que atualmente tem sido denominado de narrativas trasmidíáticas.

A TV, ou melhor, sua produção, insere-se no mundo dos objetos que não exigem mais uma atitude contemplativa, mas, sim, que aciona os sentidos para a interlocução e a interação, em suma, para a participação no processo de percepção-construção das linguagens ali expressas. O ambiente de convergência midiática pedirá cada vez mais a participação do espectador que, está se tornando um interator. Mas, o grande desafio que ainda aguarda a TV é conseguir manter-se num padrão de audiência com uma programação baseada em um fluxo verticalizado. Já que o conceito de programa é o primeiro a sofrer transformação com o processo de convergência, a ideia de programação perde seu caráter gregário e de identidade. Não seria, então, a repetição uma característica reforçada que ganhará uma sofisticação maior, recebendo agora o nome de reconfiguração tanto estética como das narrativas?

Afinal, o telespectador, com a TV digital, vai ter a opção de “baixar” e ver seu programa no horário que achar melhor, ao ter em mãos carteiras de filmes ou a programação das emissoras, independentemente de qualquer programação vertical. Em que aspectos diferentes gêneros de programas – de ficção, de entretenimento, contribuem, através da sua linguagem, para se atualizar sem estar condicionado ao fluxo da programação?A repetição já é realidade, se concretiza, no monitor do computador, no qual a televisão e os seus programas podem ser acionados simultaneamente, ao mesmo tempo em que o telespectador se distrai navegando pela internet ou recebendo e-mails, tweetando, trabalhando, pesquisando. Estamos, em resumo, dizendo que os programas terão de ter força suficiente para que, sozinhos, se mantenham “no ar”, dissociados de uma grade horária rígida e verticalizada, conforme o modelo que hoje ainda impera nas redes e emissoras. Nele um programa aproveita a audiência de outro em decorrência de sua inserção no quadro geral do fluxo de programação. Até que ponto os programas poderão e terão de se repetir para persistirem e se viabilizarem inseridos em uma nova mídia, na qual a simultaneidade de emissão-recepção se faz sentir? Talvez nesse panorama a repetição venha, de fato, a ser uma forte característica dessa mídia, já que, nesse momento de convergência, muitos são os códigos, mensagens e signos em jogo para disputar a atenção do “novo” telespectador. Na medida em que estamos partindo da afirmação de que a repetição existe, e em abundância, sendo responsável inclusive pela identidade da emissora, apesar de não ser homogênea no tratamento de sua linguagem, a TV e seus diferentes gêneros apresentam grande similaridade e acabam se repetindo.

Observamos, até agora, como os programas televisuais, além de passarem a limpo o significado do conceito de repetição, o aprofundam e sofisticam suas matrizes, multiplicam os sentidos de uma imagem ao reprisar seus textos em diferentes plataformas.
Bibliografia



BOLTER, J. David e GRUSIN, Richard. Remediation. Understanding new

media. Cambridge, Massachusetts: The MIT Press, 2000.

CANNITO, Newton. A Televisão Na Era Digital. Interatividade, Convergência e

Novos Modelos de Negócio. São Paulo: Summus, 2010.

CASTELLS, Manuel. A Cultura da Internet. In: A Galáxia da Internet. Reflexões

Sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

ECO, Umberto. Innovation ET Répétition: entre esthetique moderne ET post-moderne. In

Réseaux, n.68, Paris, CNET/CNRS, 1994. 10-25.



CASTRO, Maria Lília Dias ET DUARTE, Elizabeth Bastos. Convergências

Midiáticas: Produção ficcional-RBS TV. Porto Alegre: Sulina 2010.

CAUQUELIN, Anne. Freqüentar os Incorporais. Contribuição a Uma teoria da

Arte. Contemporânea. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

MURRAY, Janet H.Hamlet no Holodeck. São Paulo:Editora Unesp-Itaú Cultural.2003.

PLAZA, Júlio. Tradução Intersemiótica. São Paulo: Perspectiva, 2001.