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  Título
Do sertanejo à comedia erótica
Autor
FRANCISCO RAFAEL LIMA FARIAS
Resumo Expandido
Durante a década de 1970, foram produzidos e distribuídos em cinemas nacionais cerca de oitocentos filmes brasileiros, o que simboliza uma pequena quantidade em comparação com a produção anual da cinematografia hollywoodiana – que contabiliza-se na casa de milhares – mas que, para os padrões brasileiros, representa o mais perto que uma década chegou de possuir uma produção cinematográfica de escala industrial. O aumento de produção na década de 1970 veio acompanhado de bons rendimentos nas bilheterias: mais de noventa filmes ultrapassaram a faixa de um milhão de espectadores. Neste contexto de ampliação e crescimento da indústria cinematográfica nacional, dois gêneros se destacam: o sertanejo e a comédia erótica – ou pornochanchada – os filmes produzidos na região paulista conhecida como “Boca do Lixo”. Estes filmes eram realizados por produtoras independentes que conseguiam, a partir do seu trabalho, produzir obras que arrastavam multidões para os cinemas. O objetivo deste trabalho é analisar estas produções cinematográficas, com o intuito de identificar as conjunturas específicas do momento histórico que facilitaram o crescimento destes gêneros dentro da história do cinema nacional. Para isso, iremos recorrer especialmente a análises bibliográficas e fílmicas, de algumas obras que são consideradas como mais significativas por sua expressividade de rendimentos nas bilheterias. Com um modelo de produção próprio e acordos fechados direto com os exibidores, a “Boca do Lixo”, e suas produtoras, acabaram por tornar-se a principal realizadora de filmes brasileiros. Da produção do período, entre alguns dos títulos mais conhecidos é possível citar: Ainda agarro essa vizinha, produzido em 1974, por Pedro Carlos Rovai; Amada amante, de 1978, por Claudio Cunha; A super fêmea, realizado em 1973, de Aníbal Massaini Neto; O bem dotado: o homem de Itu, produzido em 1978, dirigido por José Miziara; Cada um dá o que tem, de 1975, por Adriano Stuart, John Herbert e Silvio de Abreu; A árvore dos sexos, feito em 1977, de Silvio de Abreu; O roubo das calcinhas de 1975, dirigido por Braz Chediak e Sandoval Aguiar. No âmbito dos filmes considerados como sertanejos, dois personagens destacam-se: o primeiro é o ator, diretor e produtor Amácio Mazzaropi, cujos filmes eram produzidos e distribuídos por sua produtora, a PAM (Produções Amácio Mazzaropi) FILMES, e obtinham um bom rendimento nas bilheterias, que era investido na filmagem de sua próxima película. Suas principais produções são os filmes: Jeca macumbeiro, de 1975; Jeca contra o capeta, produzido em 1976; Jecão, um fofoqueiro no Céu, realizado em 1977, com direção de Pio Zamuner e Mazzaropi e Jeca e seu filho preto (1978) de Pio Zamuner e Berilo Faccio. Também merece destaque o cineasta Vitor Mateus Teixeira, mais conhecido como Teixeirinha, que iniciou sua carreira no Rio Grande do Sul como cantor sertanejo, alcançando grande êxito na venda de discos. Estreou no cinema com o filme Coração de Luto, em 1966 e em 1970, fundou sua própria produtora, a Teixeirinha Produções Artísticas. Ao todo, produziu 12 filmes, entre os quais enumeram-se: Motorista sem Limites, Teixeirinha a Sete Provas e Na Trilha da Justiça. Estes gêneros foram os principais responsáveis pelo retorno do público ao cinema, e se apresentam quase como opostos, uma vez que uma representa uma produção mais inocente e a outra mais maliciosa. Estes fatos aumentam o interesse sobre esta produção e mais do justifica uma análise mais detalhada desta produção.
Bibliografia

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