ISBN: 978-85-63552-17-4
| Título | A ESTÉTICA E O MODO DE PRODUÇÃO EM “UMA ENCRUZILHADA APRAZÍVEL” |
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| Autor | LUCIANA GOMES SANTOS |
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| Resumo Expandido | O estudo partiu da ideia de que um modo de produção, determinado por um financiamento público, pode influenciar esteticamente na realização de uma obra audiovisual. O modo de produção refere-se as ações que compõem os processos econômicos, administrativos, conceituais e estéticos da realização de um produto audiovisual.
A partir dessa ideia, objetivou-se analisar a estrutura do Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro (DOCTV), em sua terceira edição, estabelecendo os parâmetros para a análise estética do documentário cearense Uma Encruzilhada Aprazível (2007, de Ruy Vasconcelos). Através de uma análise comparativa dos editais de fomento, destacou-se a relevante mudança dos DOCTV I e II para os DOCTV III e IV. Uma avaliação contida no documento Balanço da Gestão – DOCTV (2003 – 2006), do Ministério da Cultura, constatou que em seus dois primeiros editais o DOCTV havia se igualado aos concursos que elegem ‘o melhor tema’ e não a melhor proposta de relação com o tema. Eis a principal mudança, a partir do DOCTV III, no princípio de seleção e modo de produção para o fomento. O critério principal de seleção passou a ser menos sobre uma relevância sociocultural do(s) objeto(s) ou assunto e mais sobre a originalidade da abordagem dos mesmos. O tratamento e as estratégias audiovisuais originais passaram a ser o modo de produção orientado, passando para segundo plano as questões de relevância temática. Os documentários cearenses produzidos pelo DOCTV III, a partir do novo critério de seleção foram Sábado à Noite (2007), de Ivo Lopes e Uma Encruzilhada Aprazível (2007), de Ruy Vasconcelos. O documentário em questão produziu um manifesto audiovisual sobre o olhar por meio de uma abordagem original do contexto narrativo de um entroncamento rodoviário, os habitantes, os visitantes e seu entorno. Na análise foi discutida a forma enunciativa através dos recursos estéticos como, por exemplo, a montagem de vários pontos de vista de câmera, os contrastes das profundidades de campo e os enquadramentos de enquadramentos através da produção de camadas na imagem. Esses recursos conduziram a narrativa do documentário. Algumas sequencias do documentário foram destacadas como as que melhor produzem aproximações ou distanciamentos com relação ao modo de produção identificado no edital. Essas sequencias foram lidas a partir da decomposição dos planos imagéticos e sonoros que as compõem. Unidades como o ponto de vista, a profundidade de campo, os movimentos de câmera e desenho sonoro foram discutidas no nível técnico, estético, e de significação sempre na relação com o modo de produção. A análise estética do documentário apontou para uma possibilidade de identificação das aproximações e ou fugas da criação ao modo de produção estabelecido pelo fomento, discutindo os níveis de influência dessa relação. |
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| Bibliografia | AUMONT, Jacques. et al. A estética do filme. Campinas, SP: Papirus, 1995.
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