ISBN: 978-85-63552-17-4
| Título | Transhumanismo e Igualdade Social em “Elysium” e “O Preço do Amanhã”. |
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| Autor | Edgar Indalecio Smaniotto |
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| Resumo Expandido | O Transhumanismo é uma concepção filosófica contemporânea ao desenvolvimento das modernas tecnologias da cibernética, inteligência artificial, biotecnologia e nanotecnologia, sendo que seus adeptos concebem a possibilidade de aperfeiçoar e guiar a evolução humana em uma direção pré-concebida, através do uso das tecnologias citadas (KURZWEIL, 2007). Já seus críticos levantam questões éticas, enfatizando que a “intervenção orientada para um projeto” (HABERMAS, 2004, p. 17) pode vir a constituir-se como uma impossibilidade a que o indivíduo possa ter em empreender qualquer projeto racional de vida autonomamente, devido a orientações previamente estabelecidas por seus progenitores, antes de seu nascimento e sem seu consentimento. Neste trabalho, recorremos a duas obras cinematográficas – “Elysium”, do diretor Neill Blomkamp (2013), e “O Preço do Amanhã”, do diretor Andrew Niccol (2011) – cuja temática central é um exercício de extrapolação das perspectivas transhumanistas para um futuro em que estas se tornaram realidade. A crítica filosófico-sociológica dos filmes citados parte da ideia de que “a obra de arte verdadeira é capaz de ‘sugerir’ elementos essenciais do complexo social particular-concreto, só possível de serem apreendidos através do reflexo social”, ou seja, o cinema “consegue demonstrar que a realidade sócio-histórica efetiva é maior e mais complexa que conceitos e categorias abstratas que procuram apreendê-la cientificamente” (ALVES, 2006, P. 286). Assim, recorremos à crítica filosófico-sociológica dos filmes “Elysium” e “O Preço do Amanhã” para, em uma perspectiva dialética (método empregado neste trabalho), contribuir para o entendimento dos possíveis efeitos sociopolíticos do transhumanismo, em uma sociedade capitalista em que a desigualdade social tem se acentuado nas últimas décadas (PIKETTY, 2014). Ambos os filmes aqui discutidos pertencem ao gênero da ficção científica por encerrarem, em suas narrativas, um discurso próprio da ciência (SUPPIA, 2007), ou mais propriamente, nesse caso, uma filosofia do progresso científico de caráter positivista. A extrapolação tecnocientífica e político-social, próprias da ficção científica cinematografia, permite-nos, aqui, analisar as possibilidades de a engenharia genética ser utilizada como forma de alguns obterem vantagens competitivas em uma sociedade capitalista já competitiva (SANDEL, 2013) – o que poderia acentuar as desigualdades sociais já existentes, por atingir novos patamares, agora não apenas socioeconômicos, mas também biológicos. Possibilidade esta que não pode ser descartada apenas como elemento ficcional na medida em que o homem tende a erigir “uma sociedade tecnocientífica que, cada vez mais, hipertrofia as contradições dos sistemas econômicos que já deveriam, há muito, terem sido eliminadas” (PALHARES, 2010, p. 11). Neste trabalho, pretendemos compartilhar nossas reflexões filosóficas e sociológicas acerca dos desafios éticos e sociais que a engenharia genética, utilizada com fins de melhoramento da espécie, nos impõe. Para tanto, se considerarmos o cinema não apenas como produto do imaginário social de uma época, mas também como catalizador e produtor de possibilidades imagéticas de futuros possíveis (particularmente o cinema de ficção científica), a crítica filosófico-sociológica empreendida neste trabalho levanta a possibilidade da utilização da ficção científica como fonte primaria na discussão de problemas sociais apenas vislumbrados e hipoteticamente considerados, até seu advento. Como salienta Giovanni Alves, “a grande arte”, ou seja, o cinema “é capaz de nos apresentar, através de suas situações típicas, não apenas o que foi, ou o que é, mas o que pode ser na perspectiva do devir humano dos homens históricos, ou seja, as possibilidades objetivas de desenvolvimento do ser social e de suas instâncias sócio-reprodutivas” (2006, p. 287). |
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| Bibliografia | ALVES, Giovanni. Trabalho e Cinema: o mundo do trabalho através do cinema. Londrina, PR: Praxis, 2006.
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