ISBN: 978-85-63552-17-4
| Título | Stagecoach e O Cangaceiro: aproximações entre o Western e o Cangaço |
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| Autor | Marcelo Dídimo Souza Vieira |
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| Resumo Expandido | A criação do Western acompanhou a própria história do cinema, quando Thomas Edison filmou cenas do the Wild West Show e o curta Poker at Dawson City, no final do século XIX. No entanto, foi com O Grande Roubo do Trem (Edwin Porter, 1903), que o western passou a ter uma narrativa mais elaborada e alguns ingredientes do gênero. A partir de então, os filmes de cowboy foram se fortalecendo e ganhou o status de gênero a partir da década seguinte, mundialmente conhecido como Western. Durante a década de 1920, o gênero oscilava entre A and B Westerns. De um modo geral, os B Westerns eram filmes de baixo orçamento e sem uma produção mais elaborada, enquanto os A eram superproduções rodadas em locações características, com grandes estrelas e altos salários.
No Brasil, durante essa década, filmes que abordaram o tema Cangaço foram realizados em Pernambuco e fazem parte do Ciclo de Recife, quando o movimento histórico estava em plena atividade. Naquela época, a imagem do bandido estava sendo explorado pelos cineastas, mas o cangaceiro ainda não era o personagem principal, começou a aparecer como personagem secundário e de forma tímida no cinema. Lampião, o Rei do Cangaço (Benjamin Abrahão, 1936) é, certamente, o filme mais importante desse período e um dos mais significativos para o gênero, sendo um documento chave para a compreensão antropológica do cangaço, e um registro histórico no cinema brasileiro. Em 1939, o ano de ouro de Hollywood, um filme será um divisor de águas no gênero, Stagecoach, dirigido por John Ford. A maioria dos pesquisadores reconhece Stagecoach como sendo um ponto crucial na produção do Gênero, elevando definitivamente o Western a um A film e influenciando de forma concreta os filmes realizados a partir da década de 1940, principalmente após a segunda guerra, o que levou a quase extinção dos B Westerns na década seguinte. Com uma narrativa bem elaborada, a belíssima paisagem de Monument Valley, personagens bem definidos que serão constantemente retratados pelo cinema, John Ford não somente se consagrou como um grande diretor, como deixou uma valiosa contribuição para o Gênero e para o cinema americano. Stagecoach se tornou uma forte influência tanto para o Western, como para o cinema mundial, inclusive o Cangaço. No final da década de 1940, o cinema brasileiro procurou copiar o modelo industrial do cinema Americano, e algumas empresas abriram suas portas com o sonho de ter um mercado tão forte, consolidado e prolífero quanto Hollywood, e companhias como a Vera Cruz, Maristela e Multifilmes investiram na compra de estúdios e equipamentos, contrataram atores e atrizes e tentaram seguir a linha Americana do star system. Se é para copiar o modelo de produção, por que não “nacionalizar” um gênero de bastante sucesso no mundo criado pelos americanos? A resposta veio no início dos anos 1950, com o sucesso O Cangaceiro (Lima Barreto, 1953), produzido pela Vera Cruz. A partir de então, o Cangaço passou a ser um Gênero com características estruturais comuns, criando uma vertente nacionalista com referências diretas ao Gênero norte-americano. É possível identificar claramente essas referências. Esses dois filmes iniciam e terminam de forma muito parecedida, até mesmo o título do filme brasileiro está entre aspas, como o americano. A contextualização da dicotomia civilização x selvageria permeia os filmes e reforça a ligação do homem com a terra. O heroi é um fora-da-lei em busca de redenção. Ringo e Teodoro, os heróis, apresentam essa condição. Ringo consegue atingir seu objetivo, e parte para sua casa na companhia da heroína Dallas. A redenção de Teodoro é através da morte, mas o objetivo de libertar Olívia foi atingido. Se Stagecoach foi um divisor de águas para o Gênero americano, O Cangaceiro foi o início de um novo Gênero no cinema brasileiro. Lima Barreto se apropriou principalmente de elementos estéticos, da narrativa e de personagens do filme de John Ford para criar o seu e inaugurar o gênero brasileiro. |
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| Bibliografia | ALTMAN, Rick. Film/Genre. London: British Film Institute, 1999.
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