ISBN: 978-85-63552-17-4
| Título | Por uma arqueologia crítica das imagens em Warburg, Malraux e Godard |
|
| Autor | Gabriela Machado Ramos de Almeida |
|
| Resumo Expandido | Em alguns de seus livros, Georges Didi-Huberman (2010, 2011) refere-se a um modo de estar diante das imagens para investigá-las e defende o exercício de uma arqueologia crítica da história da arte. Não se trata de uma proposição metodológica de aplicação universal, embora a fala do autor esteja sempre perpassada por críticas às metodologias de análise das imagens baseadas na historiografia. Mais do que um novo método, o que Didi-Huberman propõe, influenciado por Walter Benjamin, é uma postura de rompimento com a linearidade do relato histórico e a insurgência contra uma narração excessivamente ordenada e cronológica (a que se refere como a superação de um “tempo pacificado”).
O autor afirma que uma imagem a respeito da qual não se pode dizer nada é uma imagem à qual não dedicamos tempo suficiente e coragem de re-inquietarmos. É que, para Didi-Huberman, por mais antiga que seja uma imagem, diante dela o presente e o passado não param de se reconfigurar, e o que resta é pensá-la como uma construção da memória. Assim, uma arqueologia crítica passaria por um olhar subjetivo capaz de interrogar a história da arte, de perceber os diferentes tempos que perpassam as imagens e os valores de uso do tempo na disciplina histórica que pretendeu fazer das imagens o seu objeto de estudo. Este trabalho apresenta uma releitura desta proposta, para identificar aproximações entre as experiências de Aby Warburg, com o Atlas de Imagens Mnemosyne (1924-1929), André Malraux, com o museu imaginário (1947-1954), e Jean-Luc Godard, com a série História(s) do cinema (1988-1998). O objetivo é compreender de que modo as investigações conduzidas por Warburg, Malraux e Godard em diferentes momentos do século XX constituem uma arqueologia crítica das imagens, e como a proposição de Didi-Huberman dialoga com elas. Embora sejam materiais de naturezas diferentes – um atlas de imagens que servia à pesquisa iconológica do seu criador, um conjunto de livros sobre história da arte e uma obra audiovisual, respectivamente – os três casos escolhidos compreendem exercícios de pensamento com e por imagens, possibilitados pelo surgimento e popularização das imagens técnicas (fotografia, cinema e vídeo). Em cada um se faz presente, de forma distinta, um forte caráter de exame das imagens, de percepção dos seus anacronismos e de valorização de um escrutínio não-historiográfico, ainda que a história esteja sempre contemplada. Este trabalho é um recorte da pesquisa de doutorado, recém finalizada, desenvolvida junto ao PPG em Comunicação e Informação da UFRGS, entre os anos de 2011 e 2015. |
|
| Bibliografia | CATALÀ, Josep Maria (org.). El cine de pensamiento. Formas de la imaginación tecno-estética. Bellaterra: Servei de publicacions UAB, 2014.
|