ISBN: 978-85-63552-17-4
| Título | A representatividade feminina como produção de fãs em Game of Thrones |
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| Autor | cintia maria gomes murta |
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| Coautor | Giovana Milanetto |
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| Resumo Expandido | A partir de uma pesquisa realizada junto à uma comunidade virtual do Facebook exclusiva para mulheres, busca-se revelar como é percebida a representatividade das personagens femininas na série Game of Thrones, a partir de uma amostra de produções das participantes desta comunidade que também são fãs da série.
Geralmente expressa em fanfiction ou fanart, cujo foco é o romance, a produção de fãs mulheres está tradicionalmente associada à uma resistência ao sistema patriarcal predominante na narrativa de determinados produtos culturais. A série Game of Thrones, no entanto, conta com diversas personagens femininas de relevância na trama, possibilitando que as fãs não somente as admirem, como também identifiquem-se com elas, e a hipótese trabalhada neste artigo é que essa identificação levaria a um modo diferente de apropriação da narrativa. O termo identificação é utilizado por Edgar Morin (2009) para designar formas de participação dentro do imaginário. Ao produzir, os fãs querem mostrar a sua visão pessoal daquele universo, articulando significados próprios para criar um novo texto, no qual assimilam o conteúdo consumido aos aspectos de suas próprias vidas, criando uma linguagem própria, resultado de uma mistura de suas experiências pessoais, preferências ou aversões, necessidades e desejos (JENKINS, 2008). Optando por uma metodologia empírica e interpretativa, foram feitas entrevistas com as usuárias selecionadas e interessadas em participar. O grupo do Facebook que originou a comunidade na qual as pesquisadoras se inseriram é chamado de “Selfless Portrait das Mina”. Referenciando o projeto “Selfless Portrait”, no qual usuários do Facebook recebem retratos desenhados por desconhecidos que só podem ser vistos após o envio de um retrato de outro usuário, e adicionando o “das mina”, a fim de marcar a exclusividade deste espaço para mulheres, surgiu o grupo, que conta atualmente com mais de 4000 usuárias cujo foco é o aumento da representatividade da diversidade do que se entende por “feminino”. As pesquisadoras, também na posição de participantes do grupo, ofereceram a troca de retratos por relatos: através de um tópico, foi pedido que se manifestassem as usuárias fãs da série dispostas a trocar seus relatos relacionados a percepção que cada uma tem das personagens femininas de Game of Thrones, bem como de sua própria produção enquanto fã – priorizou-se quem apresentasse uma postura ativa em relação à série, como a produção e compartilhamento de memes, discussão em fóruns etc – por retratos nos quais estariam caracterizadas como suas personagens favoritas. A comunidade funcionou como um agrupamento de pessoas que se identificam como do gênero feminino e tem interesse em representatividade do gênero e técnicas de representação – uma mistura entre 'comunidade de prática' e 'comunidade de interesse' –, tornando possível a associação entre as mulheres da série Game of Thrones e a produção artística, elaborada de fã para fã. Na perspectiva da Cultura dos Fãs, como fundamentação teórica foram usados os estudos de Jenkins (1992; 2008) e de Baym (2000), para discutir a questão das comunidades de fãs, suas relações e organizações. Também utilizou-se conceitos de design colaborativo de Fischer (2011) e Laurel (2013). Em relação às práticas produtivas, necessárias para articular as questões direcionadas às fãs da série, assim como as questões de resistência e representatividade, foi usada a perspectiva de Sandvoss (2013). Para entender os conceitos definidores de identificação e projeção foi utilizado o texto de Edgar Morin (2009). Já para discutir como o conteúdo criado por fãs circulam na Internet a pesquisa utilizou os preceitos de espalhamento apontado por Jenkins; Green; Ford (2014). Outros textos relacionados ao tema também serviram de referência (ZINANi, 2006), assim como o livro Women in Game of Thrones: Power, Conformity and Resistance (FRANKEL, 2014). |
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| Bibliografia | BAYM, Nancy. Tune In, Log on: Soaps, Fandom and Online Communities. London: Sage, 2000.
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