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  Título
Vida sensível na Trilogia da solidão, de Cao Guimarães.
Autor
Consuelo Lins
Resumo Expandido
Nossa proposta é analisar os filmes que integram a Trilogia da solidão, que consolida de vez a importância do artista mineiro Cao Guimarães no cenário audiovisual contemporâneo. A trilogia se compõe dos documentários A alma do osso (2004) e Andarilho (2006) e da ficção O homem das multidões (2013), dirigida em parceria com o cineasta pernambucano Marcelo Gomes. Trata-se de identificar em cada uma das obras características singulares e, ao mesmo tempo, pontos em comum na construção fílmica de modos diversos de praticar a solidão.



Captar o modo como a matéria sensível penetra a sensibilidade dos personagens que circulam nos seus filmes e o modo como essas sensibilidades experimentam o mundo vivido; apreender o estado sensível dessas existências obscuras, deixar-se impregnar das percepções e dos afetos de indivíduos à margem do mundo formal, despersonalizados e, ao mesmo tempo, carregando nos próprios corpos e no pensamento estilhaços de uma história pessoal aqui e ali misturados à história do mundo; captar fluxos de vidas imemoriais em imagens e sons, eis o que faz Cao Guimarães.



Discutiremos ainda como a formação de Cao Guimarães nas artes plásticas - na fotografia, em curtas experimentais e na videoinstalação - foi fundamental para o artista expandir os limites do documentário, operando um deslocamento sutil, mas decisivo, na abordagem de situações e personagens pertencentes às camadas populares no Brasil. Nos indivíduos que filmou, não foram as causas que os levaram àquela condição que o cineasta explora, e sim as relações sensoriais deles com o mundo, os gestos cotidianos, as experiências ordinárias.
Bibliografia

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