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  Título
Os vídeos musicais como condutores de narrativa na telenovela do SBT
Autor
João Paulo Lopes de Meira Hergesel
Resumo Expandido
O segundo semestre de 2015 foi marcante para a teledramaturgia brasileira do SBT, que contou com três novelas infantojuvenis sendo exibidas, por algumas semanas, sequencialmente: a fase final de “Chiquititas” (2013-2015), a fase inicial de “Cúmplices de um Resgate” (2015-2016) e a reprise de “Carrossel” (2012-2013), todas com autoria de Íris Abravanel e direção geral de Reynaldo Boury.

Essas produções, embora com enredos distintos, apresentaram pontos em comum, além do público-alvo: um deles é a presença constante de videoclipes, feitos precipuamente para a televisão e inseridos tanto de forma orgânica como extradiegética na trama, a fim de contribuir com a construção da fábula. Nota-se, contudo, que a presença da linguagem verbal (sobretudo na oralidade) tende a se sobressair na narrativa audiovisual constituída nos clipes e, consequentemente, nas telenovelas.

A pesquisa descrita nesta proposta tem, portanto, o objetivo de examinar o papel do videoclipe enquanto produto televisivo e auxiliar de condução da ficção seriada, sobretudo nos aspectos que tangem à relação palavra-imagem. Como corpus, foram eleitos cinco vídeos musicais de “Chiquititas”, obra já finalizada e de ligação maior com a esfera artística. São os títulos selecionados: “Alegria, Alegria”, “Ti-Bum-Pá”, “Mentirinhas”, “Palco” e “Se uma estrela aparecer”.

Primeiramente, pretende-se separar os recortes observando os seguintes aspectos: material intradiegético (os que entram de forma natural na narrativa); conteúdo de dupla funcionalidade (os quais, a princípio, estão deslocados da trama, mas posteriormente se integram à história); produção paralela (aqueles que não estão diretamente presos à narrativa matriz, mas dizem respeito ao que ocorre na história); elemento inorgânico (imersos de maneira desligada à fábula principal); e outra forma de motivação artística (vídeo musical não compatível com a definição de videoclipe).

Em seguida, almeja-se oferecer um estudo estilístico dirigido a cada um dos clipes, a fim de observar os traços audiovisuais comuns aos produtos em questão e o enlace entre palavra e imagem que geram, especialmente, figuras de linguagem. Para isso, elenca-se como corpo teórico as obras de David Bordwell, Kristin Thompson e Renato Pucci Jr. (sobre estilo no audiovisual) e Charles Bally, José Lemos Monteiro e Nilce Sant’Anna Martins (sobre a estilística da língua portuguesa).

Tem-se, previamente, a hipótese de que o pleonasmo e a metalinguagem se destacam, uma vez que ambos os recursos tendem a intensificar a história que se pretende transmitir ao público-alvo; e de que as cores vibrantes, o plano conjunto, o posicionamento frontal fixo e o ritmo acelerado se coincidem, já que são características pertinentes à emissora.
Bibliografia

BALLY, Charles. Traité de stylistique française. Paris: Klincksieck, 1909.

BORDWELL, David. Figuras traçadas na luz: a encenação no cinema. [Trad. Maria Luiza Machado Jatobá]. Campinas: Papirus, 2008.

BUTLER, Jeremy G. Notes on the Soap Opera Apparatus. Cinema Journal, ed. 25, n. 3, p. 53-70, 1986.

MARTINS. Nilce Sant’Anna. Introdução à estilística: a expressividade na língua portuguesa. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2008.

MONTEIRO, José Lemos. A estilística: manual de análise e criação do estilo literário. Petrópolis: Vozes, 2005.

PUCCI JR., Renato Luiz. Uma Nova Experimentação na TV Brasileira. Caderno Globo Universidade, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 46-53, 2013.

SUHAMY, Henri. As figuras de estilo. Porto: Rés Editora, 1960.

THOMPSON, Kristin. Storytelling in Film and Television. Cambridge (MA); London: Harvard University Press, 2003.