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  Título
SÃO APENAS MANCHAS: problemáticas da interpretação fílmica.
Autor
Igor Alexandre Capelatto
Resumo Expandido
Este trabalho pretende investigar as problemáticas da interpretação fílmica, como cada sujeito-espectador compreende os signos presentes em determinado filme e quais elementos levam a esta ou aquela interpretação. Para tal, proponho o estudo de alguns elementos presentes na comunicação fílmica, como cultura, gestos, o conceito flusseriano de abismo, e por fim, o conceito de subjetividade, que envolve toda estrutura da interpretação, tradução, codificação, enfim, da comunicação. Conceitos estes os quais apresento atraves de análises de Giorgio Agamben (o artigo 'Notas sobre o Gesto'), Vilém Flusser ("Gestos", "Lingua e Realidade", "Da Pausa", dentre outros), Walter Benjamin (Benjamin e a obra de arte: técnica, imagem, percepção), Umberto Eco (Os Limites da Interpretação, entre outros), Jean-Paul Sartre (O que é Subjetividade?) e Hegel (através de HYPPOLITE em Gênese e estrutura da Fenomenologia do Espírito de Hegel).



Para elucidar este amplo tema e fazer um recorte preciso que caiba nesta apresentação e posterior artigo, proponho o uso do filme 'Blow Up' de Michelangelo Antonioni que discute (como propõe o próprio diretor do filme) os problemas da interpretação. Para Eco 2001, p.239 (em "A estrutura ausente"), Blow Up é um tratado que procura investigar como os signos são compreendidos no discurso entre sujeito e receptor. Para mim, e elucido mais precisamente na explanação deste resumo, Blow Up é assim, um tratado sobre a Subjetividade, e desta forma, tomo ele como base ilsutrativa dos conceitos que proponho abordar.



Ainda por meio de Eco e dos estudos sobre Subjetividade, proponho a suspensão de cinco problemáticas (defronte, fenomenologicamente, tomei a liberdade de escolher/recortar estes cinco hiatos) da interpretação (decifração/tradução) fílmica os quais arrematam os temas (objetos) propostos para estudo:



• autoria: relação entre o autor do filme e o tradutor (storyteller/diretor/espectador);

• ausência cultural: códigos que existem em uma cultura e não tem equivalência noutra;

• confronto de significação cultural: quando um mesmo código tem significado díspar;

• gesto em relação a forma e a conversa. O hiato imagético e o hiato corporal (e subjetivo);

• por fim, através da liberdade, a recriação;
Bibliografia

AGAMBEN, G. Notas sobre o gesto. In: FREITAS, R., GARCIA, D. e IANNINI, G.. Artefilosofia. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2015.

BENJAMIN, Walter et al. Benjamin e a obra de arte: técnica, imagem, percepção. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

ECO, Umberto. A estrutura ausente. São Paulo: Perspectiva, 2001.

____________. Os limites da interpretação. São Paulo: Perspectiva, 1995.

______________. Gestos. São Paulo: Annablume, 2014 .

______________. Língua e realidade. São Paulo: Annablume, 2007.

HYPPOLITE, Jean. Gênese e estrutura da Fenomenologia do Espírito de Hegel. São Paulo: Discurso Editorial, 1999.

SARTRE, Jean-Paul. O que é subjetividade?. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.



Referências filmográficas

ANTONIONI, Michelangelo. Blow up. Vídeo. DVD. COR. 111 min. MGM, 1967.