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  Título
Antoine Bonfanti e a escuta do mundo em documentários não controlados
Autor
Sérgio Puccini Soares
Resumo Expandido
A comunicação pretende fazer uma apresentação de resultados de pesquisa de pós-doutorado desenvolvida junto a Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris 3, financiada pela FAPEMIG, no qual estudamos o trabalho de Antoine Bonfanti na captação de som direto no documentário. Engenheiro de som, operador de som e mixagem, Bonfanti foi um nome comum no créditos dos filmes da nouvelle vague e nos documentários feitos por toda uma geração dos anos 1960 associada ao documentário direto, como Chris Marker e William Klein. São documentários que possuem uma especial ênfase na captação direta do som, campo em que Bonfanti irá se destacar, chegando a ser chamado de “o papa do som direto” . Tendo como base a coleta de um extenso material de entrevistas e depoimentos de, e sobre, Antoine Bonfanti, pretendemos fazer um mapeamento das especificidades no trabalho de captação do som em situação de mundo, aquilo que iremos chamar de “escuta do mundo”. Mais do que uma escuta isolada, iremos dar ênfase à relação estabelecida entre a captação de som e o trabalho de captação de imagens, câmera-som. Essa escuta se dá a partir da intermediação de um aparato técnico: um gravador de áudio portátil, microfones, normalmente direcionais, cabos e fones de ouvido, e irá orientar o operador de áudio a assumir posições diante do evento filmado e, principalmente, a posicionar seu microfone para a melhor captação daquilo que lhe interessa. Esse trabalho será condicionado à interação entre operador de áudio e cinegrafista. Como recorte, a comunicação irá se concentrar no período dos anos 1960 tendo dois filmes como base Le joli mai (Chris Marker, Pierre Lhomme, 1962) e À bientôt, j'espère (Chris Marker, Mario Marret, 1968). Filme chave para entendermos o trabalho de Antoine Bonfanti no documentário, Le joli mai vem a ser uma das primeiras experiências de som direto na França. Segundo Bonfanti, “Em Le joli mai era necessário inventar tudo. Era a primeira vez que o som saía verdadeiramente à rua. (...) Era preciso inventar a vara de boom, encontrar os microfones convenientes a essa situação, os suportes anti-vento...” . A experiência adquirida no filme de Marker permitirá a Bonfanti toda uma descoberta de potencialidades na captação de som que orientará não apenas o seu trabalho posterior, mas o de Pierre Lhomme, cinegrafista de coautor de Le joli mai. A parceria entre Chris Marker, Pierre Lhomme e Antoine Bonfanti será mantida em À bientôt, j'espère, documentário que marca o início das atividades do coletivo de produção Les Groupes Medvedkine, formado por uma grande lista de cineastas, técnicos de cinema, intelectuais e operários de indústrias de Besançon e Sochaux, na França. Antoine Bonfanti terá atuação intensa no Grupo Medvedkine, entre 1968 e 1974, juntamente com Pol Cèbe, Bruno Muel, Michel Desrois, Jean-Pierre Thiébaud, Théo Robichet, entre outros.

Essa pesquisa contou com o apoio do IRCAV – Institut de recerche sur le cinema et l’audiovisual, da Universidade Paris III, tendo a colaboração do Prof. François Thomas.
Bibliografia

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THOMAS, François. Musique et son directs dans les films “parallèles” de Jacques Rivette. Paris: Positif n° 367, septembre 1991, pp. 17-20.