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  Título
Cinema Brasileiro de Grande Bilheteria. Um período que se fecha?
Autor
Sheila Schvarzman
Resumo Expandido
Pensar o cinema contemporâneo brasileiro de grande bilheteria (2000-2015) a partir 2016, com a grande crise política, econômica e institucional que se instalou no país nesse período, conduz a pensar essa produção, marcada também pela forte relação com a TV, como expressão e documento de um período que se encerra, como se encerra nesse momento de retrocesso institucional, com o fim do Ministério da Cultura, entre outros, uma fase histórica no desenvolvimento e na consolidação do Brasil como país protagonista (e não mais como um quintal neocolonial) no qual buscava-se consolidar um cinema brasileiro de grande público, o que, em muitos sentidos, se efetivou.

O cinema de grande bilheteria foi produzido através de mecanismos de renúncia fiscal e políticas públicas com vistas a sedimentá-lo como indústria permanente e elemento de expressão e diálogo da cultura nacional. Ele se construiu e acompanhou, através de suas imagens e do imaginário que evoca, transformações que se deram na esfera pública e privada por meio de políticas de Estado que impactaram positivamente as atividades econômicas ao longo desse período, em que surge e se consolida a Ancine (2002) - e em que alguns filmes em especial - Cidade de Deus, Fernando Meirelles, 2002; Dois Filhos de Francisco, Breno Silveira, 2005; Tropa de Elite1, José Padilha, 2006 e 2, Idem, 2010 - e gêneros em particular como a comédia ( Até que a sorte nos separe 1, Roberto Santucci, 2012; 2 , idem 2013; O Candidato Honesto, Roberto Santucci, 2014 e a comédia romântica Se eu fosse você 1, Daniel Filho, 2006 e 2, Idem, 2009; E aí comeu?, Felipe Joffily, 2012; De pernas para o Ar 1, Roberto Santucci, 2010 e 2, Idem, 2012; SOS Mulheres ao Mar1, Cris D´Amato, 2014 e 2, Idem, 2015) tematizaram e apreenderam a superfície dessas transformações vividas pela sociedade e que foram marcadas em sua maioria por cenários de bem-estar, beleza e contemporaneidade, ao mesmo tempo em que, sob a essa aparência prazenteira, persistiram e resistiram ali – assim como na sociedade - traços históricos arcaicos profundos.

Se a marca significativa desse período foi a ascensão social a partir de políticas de Estado que promoveram em primeira instância o acesso ao consumo, o consumo foi amplamente tematizado, propagandeado, ensinado nas telas como se fosse um dado de realidade amplamente partilhado e desejável, assim como a mudança de estatuto das mulheres, outro tema que conviveu em harmonia na ficção com a necessária e constitutiva naturalização da estratificação social, dos preconceitos de classe e gênero muito presentes na maioria dessas produções.

Em vista disso, gostaríamos de abordar filmes e temáticas que construíram visões sobre traços significativos desse período que, pelos escassos sucessos de bilheteria de 2016, pela queda expressiva no número de grandes lançamentos e pelas mudanças violentas da realidade vivida, apontam para - se não o final de uma política de financiamento, produção e recepção - transformações nas questões e gêneros de interesse, assim como nas formas de produção e de relacionamento entre o cinema brasileiro e o seu incerto público.
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