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  Título
Film Literacy - O Filme-educação e o fator-experiência
Autor
Pâmela de Bortoli Machado
Resumo Expandido
Queremos destacar que o filme deve ser explorado em sala de aula, local onde ainda se apresenta certa resistência, devido à crença da visão cinematográfica de entretenimento exclusivamente. De tal forma que encontramos espaço para os preceitos do chamado Filme-educação, em que entra em voga a prática de “ler” e “escrever” o filme. Aqui, “leitura” do filme em sua ordem crítica, não se limitaria apenas a compreensão daquilo que está sendo transmitido pela imagética, mas também estaria sendo subsídio para inspiração da “escrita” produzida pelo aluno a partir de sua criatividade e habilidade individual. O fator-experiência vem como principal diferencial daquilo que se propõe a ser o chamado Filme-educação. Mensurado a ideia de existir a discussão, aqui se vai além e o próprio aluno protagoniza o conhecimento adquirido, manifestando o seu “escrever” através do seu processo artístico de criação. O despertar do saber pode ser feito a partir da experiência individual, o que mudaria a posição do professor de imposição de conhecimento a ser assimilado, ou seja, o aluno veria por ele mesmo através do filme, e não porque o professor o orientou a ver aquilo que deveria ser visto. Tal se daria pelo estímulo do sensível em cada singularidade, ou seja, o aprendizado do cinema se daria pela ação individual, para depois haver discussão técnico-teórica sobre o que foi feito. Dessa forma, ressaltamos que o Filme-educação possui diferentes vieses que poderão ser combinadas, repensadas e reformuladas de acordo com a bagagem do professor e daquilo que almeja realizar em sala de aula. As ferramentas são infinitas e o despertar da criação deve ser algo a ser estimulado, juntamente com o debate e os diversos conhecimentos acionados pelo filme. Tal ação permite uma série de possibilidades abrindo espaço para o desconhecido, para o inusitado e para a exacerbação da criatividade individual ou em grupo na perspectiva de “experimentar.” Além disso, Bergala (2008) acredita que o cinema deve ser visto como arte. E, aqui, no envolvimento da experiência por si mesma, por se permitir experimentar, cria-se a arte através da “escrita” do filme. Entendemos assim que o aluno, ao assimilar a “leitura” da linguagem audiovisual, passa a ser criador de seu próprio modo de “escrever” e, nessa postura, assume a experimentação que se manifesta por meio de suas escolhas estéticas, sobre sua maneira de ver o mundo que o cerca e o seu próprio mundo, comprovando que o que torna a aprendizagem humana não é a assimilação direta da realidade, mas o contato e a troca com outras consciências e sensibilidades (CARRANO, 2005). Dessa forma, o fator-experiência se configura como a própria criação, o experimento de ir ao encontro daquilo que não se conhece. E, nessa manifestação artística dar-se-á a produção de imagens, “escritas” únicas, que nada mais são do que a exaltação de diferentes formas de ver o cinema. Logo, enfatizamos o fato de que a experiência se difere ao favorecer a construção de imaginários, a manifestar aquilo que se compreendeu com a “leitura” do filme e como o ser, em sua essência, realiza sua própria “escrita”. Essa interação e complementação de leitura e escrita, preceitos do Filme-educação, que fazem toda a diferença de tomar o filme como instrumento de intervenção, de comunicação, de criatividade e, acima de tudo, de uma mediação entre o cinema e a educação.
Bibliografia

BERGALA, A. A hipótese-cinema: pequeno tratado de transmissão do cinema dentro e fora da escola. Trad. Mônica Costa Netto; Silvia Pimenta. Rio de Janeiro: Booklink; CINEADLISE-FE/Uerj, 2008.

CARRANO, Paulo. Identidades juvenis e escola. In: UNESCO. Construção coletiva: contribuições à educação de jovens e adultos. Brasília: UNESCO/MEC; RAAAB, 2005. p. 153-163.

FISCHER, R; MARCELLO, F. Tópicos para pensar a Pesquisa em Cinema e Educação. Revista Educação e Realidade. Porto Alegre, v. 36, n. 2, p. 505-519, maio/ago. 2011.

MIGLIORIN, C. Inevitavelmente cinema: educação, política e mafuá. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Azougue, 2015.

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: Unesco, 2003.

NAPOLITANO, M. Como usar o cinema na sala de aula. 2ed. São Paulo: Contexto, 2005.