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  Título
Imagem, cultura e diversidade no filme "Febre do rato"
Autor
Wilton Garcia
Resumo Expandido
Na complexidade que se pretende pensar sobre a diversidade cultural/sexual no Brasil, surgem estudos contemporâneos da produção cultural do cinema como discurso ideologicamente orientado. O cinema expressa diferentes abordagens, de modo geral, como o amor. Pensar a doce capacidade de iludir plateias faz do filme um lugar especial para o tema do amor. Identificar essa sensibilidade no cinema atual não é tarefa tão fácil. Seria permitir que na expressão sensível da ficção pudesse se desabrochar a ideia de felicidade. A representação da felicidade no cinema, então, pode permear diferentes formas de amor, de maneira simples e até inocente. Assim, quem sabe, floresce a diversidade, ou seja, distante da competitividade do mercado-mídia e seu discurso hegemônico, na busca desenfreada do capital (TEIXEIRA; LOPES, 2006).



E, disso, surge a inquietação em forma de pergunta: o que caracteriza os produtos audiovisuais como espaços de dominação ou libertação estratégica da diversidade? Ou ainda, como o cinema contemporâneo trabalha a homocultura?



O presente artigo relaciona imagem, cultura e diversidade destacados o filme Febre do rato (Cláudio Assis, 2011). A desmensuração da cena cinematográfica cria força nas questões intrínsecas/extrínsecas de excessos e descontinuidades de entraves, a envolver os personagens em sublimação (LEITE, 2013). No enfoque dessa discussão relutante, o coveiro Pazinho (Matheus Nachtergaele) vive uma relação amorosa, impetuosa e intempestiva com Vanessa (Tânia Granussi), uma travesti.



São vertentes radicais da transgressão contemporânea que se complementam, no fluxo pulsante, contra o sistema hegemônico. Tais radicalidades transformam-se, estrategicamente, em potências discursivas quando manifestam seus posicionamentos a propor um conjunto de reflexões para a produção conhecimento atual.



Como provocação, essa discussão visa a debater e incentivar a inclusão do tema da diversidade cultural/sexual na agenda do cinema nacional. Sem restringir a criação no campo cinematográfico, a diversidade no cinema nacional solicita sua própria emergência – a destacar o protagonismo do universo Trans.



A leitura que aqui se pretende organizar são impressões e registros de uma exemplificação fílmica, com elementos conceituais e teóricos da diversidade cultural/sexual no cinema nacional contemporâneo. São considerações e pontos de vista que acompanham a atualização de ferramentas e tendências em uma atmosfera que circunda sobre o cinema contemporâneo. Na verdade, é uma instigante história de amor – pautado pela diversidade – que contêm altos e baixos.



Os critérios formais no desenrolar desta escrita amparam-se pelo formato de ensaio, como condição adaptativa capaz de incluir apontamentos teóricos e políticos indicados ao longo do texto, a fim de assimilar traços e fragmentos da sociedade contemporânea na compreensão da diversidade exposta no cinema brasileiro (FOSTER, 2003; NAGIB, 2012; STAM, 2003). Trata-se de uma estratégia discursiva a alinhar diferentes pontas que suturam as ideias designadas. Ainda que não seja tão reconhecido no meio acadêmico, o ensaio – gênero discursivo híbrido entre o pensar, o relato e a escritura – permite maior flexibilidade para desdobrar a matéria discursiva que se atualiza no próprio exercício reflexivo.



Essa opção de tratativa, sob o discurso científico, enquadra ideias e parâmetros arquitetados pelo discorrer de um pensar que se conflui com o relato executado na escrita. Esta última legitima o fio condutor que agiliza uma trama, feita aos poucos. Por lidar com questões que tangem a diversidade, o interesse acende maior vigor empírico e científico, visto que gera chances e estímulos de reflexão e escrita.



No final do filme, Pazinho manda um recado ambíguo e, ao mesmo tempo, irônico para sua amada: “Diga a Vanessa que ela é o homem da minha vida!”
Bibliografia

FOSTER, David William. Queer issues in contemporary latin american cinema. Austin: University of Texas Press, 2003.

LEITE, Rodrigo Lage. Baixio das bestas e Febre do rato – dois filmes de Cláudio Assis – diferentes caminhos para os excessos de viver. Ide (São Paulo) v.35 n. 55, jan. 2013. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0101-31062013000100015&script=sci_arttext. Acesso em 30/mar/2013.

NAGIB, Lúcia. Além da diferença: a mulher no Cinema da Retomada. Devires, BH v. 9, n. 1, p. 14-29, jan./jun. 2012.

PEIXOTO, Nelson Brissac. Ver o invisível: a ética das imagens. In: NOVAES, Adauto (Org.). Ética: vários autores. São Paulo: Cia das Letras, 2007. p. 425-453

STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema. Campinas: Papirus, 2003.

TEIXEIRA, Inês Assunção de Castro, LOPES; José de Souza Miguel (Orgs.). A diversidade cultural vai ao cinema. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.