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  Título
HQs & Cinema: a sinergia das interações recíprocas e convergentes
Autor
Denise Azevedo Duarte Guimarães
Resumo Expandido
Em tempos de convergência, no momento em se efetiva o encontro entre os dois grandes heróis das HQs, no filme "Batman vs Superman: A origem da justiça" (Zack Snyder, 2016), a linguagem sensorialmente rica e híbrida do audiovisual contemporâneo demonstra a forma como tem privilegiado o interfacetamento entre as Histórias em Quadrinhos e o Cinema. Trata-se de algo que vai muito além do que era sazonal em termos de desenhos animados e similares, destinados ao público infanto-juvenil e que vem atraindo diversificados segmentos de público para as salas de cinema, nas últimas décadas, ao acolher vasto leque de propostas atraentes para as trocas sinérgicas, fazendo emergir um fenômeno comunicacional bem sucedido. Muito embora o cinema hollywoodiano revelasse cautela quanto às adaptações de HQs para as telas como uma possível fonte de filmes B, tal postura foi sendo gradualmente superada, a partir do final dos anos 1970, com superproduções que se tornaram grande sucesso de público, como "Superman", dirigido por Richard Donner (1978) e "Batman", de Tim Burton (1989), entre outros. Tal segmento da cinematografia tornou-se digno de nota nas últimas décadas do século XX e a tendência ampliou-se, com o boom atual de adaptações fílmicas da Nona Arte _ que David Bordwell (2006) denomina comic book movie ou filme de quadrinhos e por ele considerado como uma das fórmulas de maior relevo na indústria cinematográfica atual. Numa cultura caracterizada pelas negociações intersemióticas, acredita-se que o atual boom das adaptações fílmicas de quadrinhos pode ser ponto de partida e de referência para o estudo de outros produtos e de interfaces midiáticas. A cada momento tecnológico, o tradicional conceito de cinematografia é transformado, como na época atual, marcada pelo hibridismo, com suas imagens de diversificadas texturas advindas da mistura de suportes fotoquímicos, eletrônicos e digitais. Observam-se vários exemplos nas versões fílmicas de quadrinhos dos mais diferentes subgêneros, em que a multiplicação das interfaces entre diversos tipos de imagem possibilita procedimentos como a introdução de imagens de síntese em cenários reais e vice-versa, num fluxo de recebimento/metamorfose/redirecionamento que é típico das intermidialidades. Este artigo procura caracterizar, analisar e observar diálogos entre as narrativas gráficas e cinematográficas, de modo a verificar as alquimias que marcam o trajeto das referidas imagens sequenciadas, das páginas impressas para as telas, tendo como objetivos: a) enfatizar a dinâmica do processo tradutório do material impresso para o cinema; b) elencar potencialidades dos elementos expressivos inerentes a cada uma das mídias envolvidas; c) apontar possíveis dificuldades e/ou soluções criativas; d) investigar em que medida a estrutura narrativa do texto original é preservada, tanto no que tange ao conteúdo quanto aos aspectos formais. A hipótese é que, nas produções culturais da atualidade, as narrativas midiáticas, dentre as quais se incluem as narrativas gráficas e o cinema, não devem ser entendidas meramente como atividades que atendem aos apelos massivos e reiteram estereotipias, mas também como possíveis reconfiguradoras do imaginário contemporâneo. Almeja-se, em suma, delinear conceitos teóricos, analíticos e interpretativos considerados fundamentais para o estudo as adaptações de textos ficcionais para as telas, tendo em conta a sinergia que lhes é inerente, com aporte na semiótica de Charles S. Peirce e em teóricos das intermidialidades. Poder-se-ia falar no fenômeno da ubiquidade como uma das marcas desta negociações sinérgicas entre o contexto social em constante metamorfose e renovadas possibilidades de produções tecnoestéticas nas mídias audiovisuais
Bibliografia

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