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  Título
A Imagem Analógica: Entre Desejo de Presença e de Memória
Autor
BARBARA BERGAMASCHI NOVAES
Resumo Expandido
Nossa pesquisa se concentra na análise de filmes contemporâneos de cineastas brasileiros que se utilizam de aparelhos e tecnologias analógicas (tais como Super 8, 16mm e 8mm) como recursos de linguagem na composição de suas obras. Analisamos filme de autores tais como Tacita Dean, Sandra Kogut, Cao Guimarães, Julia Murat e Joel Pizzini. Procura-se pensar a imagem analógica, sua textura, superfície e estética dentro de uma corrente pós-hermenêutica de estudos das materialidades da comunicação. No contexto de cena ampliada e do cinema expandido que se configura a partir do trânsitos e diversidade de suportes, dispositivos e experiências, e nas multiplicidades temporais fragmentárias, vislumbramos os filmes em questão como potências sensoriais e afetivas, como atos perfomaticos e gestuais do artista, nos focando em suas forças poéticas e plásticas, mais do que na narração ou em seus aspectos da linguistica e/ou semiótica.



As perguntas que levantamos nesta pesquisa são: de que modo a escolha pelo uso de uma imagem anacrônica transparece problemáticas do contemporâneo? De que forma o resgate das tecnologias e estéticas analógicas, na contracorrente da hegemonia da imagem digital de síntese, produz novos territórios no sensível? Como o analógico pode ser vislumbrado como experiência do campo do afeto, de um desejo de memória e de presença, de outra ordem que não somente a do documental, histórico e factível? Para tal iremos nos utilizar das ideias presentes nos estudos da americana Laura Marks (2000), principalmente do conceito de percepção háptica - de uma percepção do olho que vê mas também toca- descrita também por autores tais como Jacques Aumont (2004), Deleuze e Guatarri (2005), bem como no pensamento de Gumbrecht e Andreas Huyssen. Nosso aporte teórico também contempla e se apoia nos escritos de Walter Benjamin, Roland Barthes, Susan Sontag, Agamben e Didi Huberman.
Bibliografia

Bibliografia

AUMONT. Jacques. O Olho Interminável: Cinema e Pintura. São Paulo: Cosac & Naify, 2004.

COHEN, Renato. Performance Como Linguagem. Criação De Um Tempo-Espaço De Experimentação. São Paulo. Editora Perspectiva 3ª edição 2013

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs – Capitalismo e esquizofrenia. São Paulo, SP, Editora 34. 2000.

DELEUZE, G; GUATTARI, F. Percepto, Afeto e Conceito. In: O que é a filosofia? Rio de Janeiro: 34, 1992.

DIDI-HUBERMAN. O que vemos, o que nos olha, São Paulo: Editora 34. 2010.

GUMBRECHT, Hans U. Production of Presence. California: Stanford University Press, 2004

GONÇALVES, Osmar (org.) Narrativas Sensoriais 1ª ed. - Rio de Janeiro: Editora Circuito, 2014

GONÇALVES, Osmar Reconfigurações do olhar: o háptico na cultura visual contemporânea em VISUALIDADES, Goiânia v.10 n.2 p.