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  Título
A estética do GIF: ímpeto de movimento e repetição
Autor
Manuela de Mattos Salazar
Resumo Expandido
O GIF – Graphical Interchange Format – é um formato de imagem surgido em 1987 com a capacidade de carregar com rapidez nas lentas conexões da época, e que, nos anos 1990, ganhou um código que o tornou capaz de registrar movimentos animados, em loop. Na última década, um ímpeto nostálgico levou artistas e designers a retomarem o GIF, que foi repaginado e renovado tecnologicamente, ganhando espaço na comunicação online, tornando-se mais do que um formato de imagem, uma ferramenta na comunicação interpessoal através das redes sociais e plataformas de troca de mensagens.



Segundo Linda Huber (2015), o GIF está entre fotografia e cinema: não é tão estático quanto uma foto, e seu escopo temporal é deveras limitado para expressar um fluxo contínuo como num filme. Carl Goodman, diretor do Museum of the Moving Image de Nova York, vê uma relação direta entre os GIFs e a cultura visual do século 19, quando, antes do cinema, aparelhos e técnicas como o zootrópio e o fenascitoscópio promoviam pequenas explosões de movimento. As experiências da cronofotografia de Marley e Muybridge também podem ser citadas como exemplo desse ímpeto moderno pelo movimento e pela inscrição visual da duração. Hagman (2012) afirma que o o GIF nos restitui a fascinação pelo movimento, o elemento mais fundamental do cinema. “O GIF animado se caracteriza pela tentativa de fazer o movimento estranho de novo, de afirmar o poder do movimento em si, liberado da responsabilidade de criar significado e seguir objetivos narrativos” (HAGMAN, 2012).



Fatorelli (2013) destaca as formas híbridas de difícil classificação existentes entre a forma fotografia e a forma cinema: “Esse lugar (...) compreende as expansões e as contrações do instantâneo e, igualmente, as temporalidades complexas resultantes das intervenções no encadeamento regular e sucessivo das imagens em movimento” (p. 32). Imagens como os GIFs, que promovem estes atravessamentos de linguagens e estéticas, implicam em novas dinâmicas entre obra, corpo e pensamento, que, segundo o autor, são da ordem do estranhamento, da variabilidade. Para ele, elas não promovem, contudo, revolução em regimes estéticos ou mudanças de paradigma. Sem ater-se a ideia de ruptura, este trabalho analisa a readaptação do GIF na cultura visual. Podemos pensar hoje em uma estética específica do GIF, calcada no ímpeto de ilustrar movimento e pela circularidade do loop infinito? Buscando responder esta questão, analisamos GIFs do GIF Artists Collective, site hospedado na plataforma Tumblr.
Bibliografia

FATORELLI, Antonio. Fotografia Contemporânea: entre o cinema, o vídeo e as novas mídias. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2012.



GIF Artist Collective. http://gifartistscollective.tumblr.com



HAGMAN, Hampus. The Digital Gesture: Rediscovering Cinematic Movement Through GIFs. Refractory, a Journal of Entertainment Media (ISSN:1447-4905), 29 de dezembro de 2012. http://bit.ly/1TUQmdn, acessado em maio de 2016.



HUBER, Linda. Remix Culture & The Reaction GIF. Gnovis, a journal of communication, culture e technology – Georgetown University, 25 de fevereiro de 2015. http://bit.ly/1Ov1J7x, acessado em maio de 2016.



WILLIAMS, Alex. Fresh From the Internet’s Attic. New York Times, 13 de fevereiro de 2012, http://nyti.ms/1gGRzPh, acessado em maio de 2016