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  Título
Exercícios para um filme-ensaio: a experiência da Escola de Cinema
Autor
Theresa Christina Barbosa de Medeiros
Resumo Expandido
Quando o exercício de “colecionar coisas” começou na Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu, os alunos tiveram que se dividir em dois grupos e sair pelas ruas do bairro de Austin, onde esta localizado a escola, observando o local e anotando onde poderiam encontrar as imagens para sua coleção. No final da observação a pequena lista de “locais possíveis” era percorrida e eles revezavam-se entre as filmagens. Ao coletar essas imagens eles estavam na verdade, fazendo o primeiro esboço do filme previsto para o final do semestre. No entanto, ele [o filme] em si não era o mais importante, mas um meio para uma experiência de criação, um canal em que processos subjetivos, individuais e coletivos se desenvolveram. A linguagem cinematográfica no contexto desta escola não é só transmitida, seu ensino simplesmente não funciona apenas por meio de uma explanação sobre planos e movimentos de câmera, mas especialmente pela possibilidade de experiênciá-la. Este exercício objetiva permitir e estimular a elaboração de representações de si pelos próprios sujeitos da experiência. Dessa forma, este texto questiona se podemos então pensar que esse processo de produção (ou de escrita) se desenvolve como a escrita de um filme-ensaio, uma vez que, um ensaio também parte da observação subjetiva do mundo e das singularidade, num contato direto com o risco da rasura.

O exercício de selecionar e colecionar imagens se misturam aos aspectos da experiência pessoal de cada aluno com aquele território, o lugar onde costumeiramente pegam o ônibus, onde estudam, jogam futebol, o lugar escolhido para gravação. Neste sentido, “(...) não se trataria apenas de filmes em primeira pessoa, mas de filmes [ou coleções] nos quais a pessoa do realizador se funde numa espécie de ‘personagem’ que protagoniza a busca” (LINS E MESQUITA, 2008, posição 604 livro digital), a ideia desenvolvida por Lins e Mesquita sobre o filme-ensaio nos auxilia no exercício de pensar o processo de escritura na atividade desenvolvida pelos alunos e mediadores da Escola de Cinema em que o ensaio fílmico “remete a uma forma híbrida, sem regras nem definição exata, mas que articula modos de abordagem e composições variados, objetos e discursos heterogêneos” (LINS E MESQUITA, 2008, posição 651 livro digital).
Bibliografia

BARBOSA, Maria Carmen Silveira; Santos, Maria Angélica dos; (Org). Escritos de alfabetização audiovisual. Porto Alegre: Libretos, 2014.



LINS, Consuelo e MESQUITA, Claudia. Filmar o real: sobre o documentário brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.



LISCHI, Sandra; PIAZZA, Pucci (org). A Occhio Nudo: la scuola video di documentazione sociale I Cammelli. Festival Internazionale Cinema Giovani. Torino: Lindau s.r.l., 1997.



MIGLIORIN, Cezar. Inevitavelmente cinema: educação, política e mafuá. 1ª ed. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2015.



PEREIRA, Miguel. Filme-ensaio ou o cinema da experiência. In: XXIII Encontro Anual da Compós. Pará: UFPA, 2014.