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  Título
Dot e Framed:Processos criativos em realização audiovisual via celular
Autor
aline lisboa da silva
Resumo Expandido
A criação de narrativas multiformes a partir da experimentação de formatos diferenciados, como a realização de filmes por celular, tem propiciado ao campo da estética, possibilidades criativas diversas, diante da linguagem audiovisual. O celular como dispositivo altamente adaptável acaba permitindo ao realizador, possibilidades marcadas pelo experimentalismo e inovações no uso da câmera, como é o caso de Dot (2010), uma animação em stop motion produzida pelo grupo Sumo Science, onde uma boneca de nove milímetros anda sobre moedas, notas e usa alfinetes como espadas, tudo isso em um microcenário, construído especialmente para o curta, que tem como referência o menor filme de animação do mundo .

A inovação se dá pela inserção de uma lente microscópica ao aparelho móvel (NokiaN8), utilizando a tecnologia do CellScope , comprovando assim a flexibilidade e o quão versátil tem se tornado o dispositivo móvel, diante de processos criativos diversos. O experimentalismo é criado a partir do cenário em miniatura e também a partir do uso de uma lente de microscópio acoplada ao do celular, o que permite a sensação de um plano sequência gerado, com o intuito de contar a aventura vivenciada pela micro boneca, até seu desfecho inesperado.

A trilha segue a proposta de tema infantil que o curta apresenta e há todo um trabalho de desenvolvimento da personagem (raf, story bord, protótipos dos movimentos, etc.). É uma produção realizada através de um celular em que houve alto investimento, o que coloca em xeque a discussão sobre as potencialidades estéticas do aparelho frente ao mercado audiovisual, seja em cinema ou publicidade.

Formatos como o vídeo de bolso, concebido através de aparelhos digitais móveis, que muitas vezes, cabem literalmente no bolso, como celulares, câmeras fotográficas digitais, smartphones, têm como foco a liberdade de criação, predominando um modelo simples de captura das imagens e compartilhamento na web. O compartilhamento faz com que a narrativa, considerada acabada, torne-se dinâmica e interativa diante do ambiente da hipermídia (MELLO, 2008).

Mas não é todo tipo de produção feita com celular que possui uma qualidade técnica menor. Filmes como Cats and Dogs (2013), do diretor coreano Min Byung-woo, que utilizou um modelo iPhone para captura, ou ainda Olive (2011), do norte-americano Hooman Khalili, gravado em alta definição com o modelo Nokia N8, demonstram como a tecnologia móvel tem avançado no quesito captura de imagens, afinal as câmeras dos celulares têm se desenvolvido de forma muito rápida, chegando até mesmo a ultrapassarem as compactas tradicionais.

Podemos ainda reafirmar as potencialidades do aparelho móvel a partir de Framed (2011), cuja sinopse gira em torno de um fotógrafo que anda na floresta a fim de registrar belas imagens, quando algo inesperado acontece. Aqui é possível vislumbrar o quanto o formato mobile se tornar uma realidade cada vez mais latente para a produção de vídeos e filmes.

Exibindo uma fotografia espetacular e uma excelente captação de som, o vídeo, com imagens capturadas em sua totalidade por um iPhone 4S, soa como uma experimentação de seu realizador Mäel Sevestre, em demonstrar a alta potencialidade do aparelho móvel para produção audiovisual, trazendo à tona, mais uma vez, questionamentos sobre como essas novas ferramentas estimulam a criatividade, acessibilizam o fazer vídeo/cinematográfico e ainda apresentam resultados de qualidade técnica indiscutíveis.

A partir das perspectivas apresentadas sobre Dot e Framed, o trabalho em questão objetiva provocar discussões pertinentes acerca das potencialidades do aparelho móvel, tanto em relação à adaptabilidade de recursos diante de processos criativos, quanto à qualidade técnica existente em relação ao que encontramos hoje no mercado dos dispositivos móveis. A proposta pretende analisar os objetos em questão, demonstrando como a produção audiovisual via celular vem se tornando uma possibilidade real para o mercado atual.
Bibliografia

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