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  Título
Doze homens e uma sentença: Uma obra dois olhares
Autor
Débora Chabes dos Santos
Resumo Expandido
A obra ‘Twelve Angry Men’ (Doze Homens e uma Sentença), foi baseada numa peça teatral de Reginald Rose, e narra à história de doze jurados que precisam decidir sobre a inocência de um jovem hispânico acusado de matar o próprio pai. A narrativa foi criada para um teleteatro da CBS americana em 1954, tomando grande projeção quando filmado por Sidney Lumet, estreante como diretor de cinema em 1957.

O presente artigo visa analisar, discutir e comparar as produções que se deram entre 1957 e 1997, observados em meio de movimentos sociais bastantes relevantes, que separam o filme de seu remake, criando assim referências distintas, porém únicas, sem deixarem a essência da característica da narrativa que torna possível esta observação.



A breve contextualização do cenário histórico hollywoodiano a partir 1950 é importante, pois foi marcada pela censura ‘anticomunista’ que ensejaram em perseguições precedidas por punições infundadas pelo Comitê de Atividade Anticomunista, liderado pelo Senador Joseph McCarthy, fatos que caminharam em conjunto com o surgimento e popularização da televisão do qual levou o público das salas de cinema para suas próprias salas de estar (residenciais).

A vigência do Código Hays, que normatizava em uma espécie de código de conduta do Cinema, também faz parte da contextualização histórico da primeira obra analisada, o que impossibilitava a inserção de negros e mulheres em determinados papeis que exigiam maior responsabilidade de moral e ética, discutidos pela narrativa, sendo certos que os filmes de julgamento hollywoodianos pouco conflitaram em tese com tais preceitos.

Em meados dos anos 60 revoga-se o Código Hays, bem como os proclames de atividade antiamericana também caem por terra, dando uma abertura ainda maior para a liberdade de expressão dos cineastas.



Quarenta anos se passaram, e a sociedade estadunidense havia superado a era macarthista; assistido aos Movimentos dos Direitos Civis dos negros e minorias, liderado por Martin Luther King (negro ativista político e ganhador de prêmio Nobel em 1964), ao Movimento Feminista Imelda Whelehan (embrião do feminismo pela conquista dos Direitos Civis da Mulher estadunidense); superado Guerra Fria; e intensificado maiores tensões contra o Oriente Médio, quando que em meados de 1997 estreou o remake em forma seriada para TV ‘Twelve Angry Men’ (Doze homens e uma sentença), dirigido por William Friedkin.

Após tantas mudanças na sociedade, são nítidas as diferenças que compõe o mesmo enredo, porém verificamos uma repaginação que atualiza a narrativa para década de 90, restando claro que embora tratem da mesma narrativa, as obras objetos deste artigo, claramente foram influenciadas pelas sociedades das quais foram criadas e recriadas, tornando-as sempre contemporâneas a sociedade.



Ante tantas mudanças advindas de momentos históricos entre o filme e seu remake, fica possível a comparação tornando seus principais aspectos mais evidentes quando verificamos a inserção de negros e mulheres na trama, observados em funções de bastante reponsabilidade, posto que o juiz apresentado no filme, torna-se uma juíza, mulher, no seu remake, bem como o moderador da mesa de jurados passa a ser homem negro, de aparência bastante responsável, que para a surpresa, dos estudiosos do Código Rays, não é o único negro que compõe a mesa de jurados. O réu na obra para o cinema tem traços mais idênticos aos porto-riquenhos quando que para o remake os traços do réu mesclam-se como de origem mexicana e árabe.

Estes apontamentos, só foram possíveis diante influência que dos movimentos sociais detiveram sobre a sociedade estadunidense, quais ensejam em analises sobre os alicerces que esta sociedade construiu no século XX e suas principais características hoje, governada por um chefe de governo um afrodescendente, situação inimaginável na época do Senador Joseph McCarthy, momento da estreia da obra no Cinema.
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