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  Título
Vasco Santana: ator, roteirista e comediante português
Autor
Afrânio Mendes Catani
Resumo Expandido
Vasco António Rodrigues Santana (1898-1958) ou Vasco Santana , como era conhecido, ator e roteirista português, fez teatro, rádio, televisão e cinema, tornando-se o comediante mais popular do país. Filho de Henrique Santana, diretor e cenógrafo, sobrinho de Luís Galhardo, escritor de teatro ligeiro, jornalista e empresário, dono dos teatros Éden e Avenida, em Lisboa, “nasce rodeado de partituras de músicas para revistas, de desenhos de vestuário, em uma família acomodada economicamente, graças ao avô materno que fez fortuna no Brasil” (Freitas, 2011, p. 758). Desde cedo aprecia literatura, música e a boêmia típica da elite artística da época. Ingressa na Escola de Belas Artes (1916), mas não a conclui, pois ia assistir aos ensaios das obras de seu tio e encenadas pelo pai. Estreia em 25/8/1917, substituindo colega que adoece, fazendo compère (ator que se encarrega de relacionar os distintos quadros da revista portuguesa) em O Beijo. De tanto assistir às encenações, decora as falas. O público e quase toda a crítica gostam de sua atuação, exceto um colunista do Jornal dos Teatros: “o novo compère de ‘O Beijo’ não tirava os olhos do chão. Se calhar perdeu um tostão” (Palma, 2015).

A partir de então sua carreira engrena, com intensa dedicação às revistas, numa vida agitada em que bebe, fuma, come e namora, tudo em excesso. A estreia profissional deu-se ainda em 1917, no Éden, na peça Ás de Ouros. Aos 22 anos, em 1920, vai em tournée ao Brasil. Quando retorna é contratado para integrar a companhia de operetas de Armando Vasconcelos, com quem trabalha por dez anos, “dando uso à voz afinada que tinha” (Palma, 2015). Voltou da temporada brasileira casado com Arminda Martins, também nascida e criada nos meandros artísticos, filha do maquinista teatral Henrique Martins. O filho de ambos, o primeiro de Vasco (ele teria mais dois, de outras relações), se chamaria Henrique, como os avós, nascendo em 1921. Retornaria ao Brasil em 1925, com Vasconcelos, onde fica vários meses e interpreta 23 peças. Escândalo: apesar de casado e com um filho, se casa com a atriz Aldina de Souza, com quem tem seu segundo filho, José Manuel. Fica viúvo de Aldina e se casa pela terceira vez, com Mirita Casimiro, também atriz e rival de Beatriz Costa. A relação pouco durou; entretanto, continuou a namorar com intensidade.

A partir de início dos anos 30 faz teatro e, também, cinema, embora tenha debutado na tela grande em 1929, com A Menina Endiabrada (Erich Schonfelder), produção alemã, com cenas rodadas em Portugal dirigidas por António Lopes Ribeiro. Trabalha com os maiores autores e diretores portugueses de seu tempo, escrevendo mais de 100 obras, adaptando comédias de grande êxito, atuando em cerca de 200 farsas, comédias, revistas e operetas, bem como realizando incursões esporádicas no teatro dramático. Faz, igualmente com sucesso, rádio e televisão, protagonizando comédias que se tornaram referência na história destes meios de comunicação.

Trabalha em Lisboa, Crônica Anedótica (1930, Leitão de Barros) e em A Canção de Lisboa (1933, Cotinelli Telmo). A partir daí, escreve também para cinema, participando na criação de argumentos e diálogos de vários filmes, como Maria Papoila (1937, Leitão de Barros), e em outros que atua – O Pai Tirano (1941, António Lopes Ribeiro), O Pátio das Cantigas (1942, Francisco Ribeiro) e O Costa de África (1954, João Mendes). Com Manoel de Oliveira faz textos e a locução de Famalicão (1940). Prossegue como ator em Camões (1946, Leitão de Barros), Fado, História de Uma Cantadeira (1947, Perdigão Queiroga), Não Há Rapazes Maus (1948, E. Maroto), Ribatejo (1949, Henrique Campos), O Comissário de Polícia (1952, Constantino Esteves), Eram Duzentos Irmãos (1952, Armando Vieira Pinto) e O Dinheiro dos Pobres (1956, Artur Semedo). Sócio de dois times de futebol rivais, Benfica e Sporting, quando de sua morte O Século escreveu que desaparecia “o homem que durante 40 anos fez os portugueses rirem mais” (Freitas, 2011, p. 759).
Bibliografia

COSTA, B. Quando os Vascos não eram Santanas...e Não Só. Lisboa: Europa-América, 1977.

COSTA, H.A. Breve História do Cinema Português: 1962-88. Lisboa: Caminho, 1989.

COSTA, J. B. O Cinema Português nunca existiu. Lisboa: Clube do Colecionador/CTT, 1996.

COUTINHO e COSTA, J. ; COSTA, J. M. (coords.). A Comédia Clássica Portuguesa. A Coruña: CGAI/Xunta de Galicia/Cinemateca Portuguesa, 1994.

FREITAS, M. de. Santana, Vasco. In; CASARES RODICIO, E. (Editor y Coordinador). Diccionario del Cine Iberoamericano: España, Portugal y América. Madrid: SGAE/Fundación Autor, v. 7, 2011, p. 758-9.

GARCIA, A. O Actor Vasco Santana. Lisboa: Hora que Passa, 1958.

PALMA, T. Vasco Santana. Bem Amado, mulherengo e boêmio. In: OBSERVADOR.pt/.Acesso: 06.05.2016.

PINA, L. História do Cinema Português. Lisboa: Europa-América, 1986.

REIS, P. Vasco Santana – o Bem Amado. Lisboa: Dom Quixote