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  Título
“CINEMA BRASILEIRO” ENTRE POSSIBILIDADES DE INTERPRETAÇÃO
Autor
Roberta Nabuco de Oliveira
Resumo Expandido
Esta comunicação examina duas obras, de dois diferentes autores, acerca do cinema produzido no Brasil: Alegorias do Subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo e Cinema Marginal (2012) de Ismail Xavier e A Utopia no Cinema Brasileiro: Matrizes, Nostalgia e Distopias (2006) de Lúcia Nagib. O objetivo é identificar as abordagens sociológicas que interferiram nas análises fílmicas produzidas nestas pesquisas e entender os efeitos teóricos produzidos por estas análises para o entendimento do chamado “cinema brasileiro”. Para a seleção destes dois trabalhos foram levados em consideração três aspectos: o diálogo com a ideia de “cinema brasileiro”; a produção de análise fílmica para entender o cinema dentro de uma determinada conjuntura social e, ampla visibilidade e adesão dessas abordagens no meio acadêmico.



Esta proposta partiu da reflexão feita sobre meu objeto de doutorado que se caracteriza por filmes produzidos por imigrantes e/ou descendentes no Brasil e que tenham por base sentidos imigrante. Da eleição de um conjunto desses filmes, surgiu a necessidade da compreensão dessa categoria analítica “cinema brasileiro”, buscando apontar possibilidades e limitações teórico-metodológicas desta definição.



Na possibilidade de ler certos aspectos sociológicos desta categoria, a presente comunicação se divide em três momentos: identificação de representações da sociedade brasileira postas por essas abordagens; apresentação das afinidades epistemológicas, oriundas da Teoria Social e, preponderantes nas análises fílmicas; e, por fim, um diálogo com os efeitos teórico-metodológicos produzidos por estas abordagens, apontando limites e possibilidades de interpretações dentro dos parâmetros identificados.



No exame dessas obras identificou-se que ambas as abordagens trazem em sua perspectiva analítica representações da sociedade brasileira que dialogam com concepções sociológicas contemporâneas de abordagem crítica. Percebe-se o quanto os argumentos desses autores e suas formas de análise estavam inseridas em discussões sociais que os cercavam, a partir das noções de modernidade e de cinema de autor. Assim, uma cultura descompassada entre expectativas e realidade, ou ainda, uma sociedade modernizada que incorpora elementos estéticos transnacionais: são percepções apresentadas por estes trabalhados.



Ambas abordagens convergem para a existência de uma estrutura brasileira inserida na noção de sistema capitalista global e, apontam para as experiências de cineastas/sujeitos que constroem autonomias ao dialogarem com estes padrões dominantes e normativos. Pensam a autoria cinematográfica por meio da Teoria Crítica e colaboram para a construção de parâmetros de um cinema de autor que carrega noções de um cinema autônomo e não comercial. Visibiliza-se que as duas obras em questão, estabelecem alguns parâmetros teóricos ao pesquisador desta categoria: a percepção de um cinema que é arte e, de que a análise fílmica se circunscreve a produção dessa arte dentro de um quadro sociocultural marcado pelas questões da modernidade.



Entende-se que estas representações de sociedade, juntamente com uma abordagem teórica crítica, não só deram base para uma de ideia de “cinema brasileiro”, mas também, convergiram para qualificações acerca da ideia de que cinema de autor no Brasil se configura como uma prática cinematográfica de cunho crítico e, reforçam uma expectativa intelectual em torno do “cinema brasileiro” que tem por ênfase a autonomia dos autores.
Bibliografia

BALLE, Francis. (1995) Comunicação. In: BOUDON, Raymond. Tratado de Sociologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

BENJAMIN, Walter. (1984) Origem do Drama Barroco Alemão. São Paulo: Brasiliense.

FREITAG, Barbara. (2004) A Teoria Crítica: Ontem e Hoje. São Paulo: Editora Brasiliense.

HALL, Stuart. (2003) Da diáspora: Identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG.

NAGIB, Lucia. (2006) A utopia no cinema brasileiro: matrizes, nostalgias, distopias. São Paulo: Cosac Naify.

SORLIN, Pierre. (1985) Sociologia del cine. La apertura para la historia de mañana. México: Fundo de cultura econômica.

TURNER, Graeme. (1993) Cinema como prática social. São Paulo: Summus Editorial.

XAVIER, Ismail. (2012) Alegorias do subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo e Cinema Marginal. São Paulo: Cosac Naify.