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  Título
O UNIVERSO FEMININO E RELAÇÕES DE GÊNERO EM MI AMIGA DEL PARQUE (2015)
Autor
Carla Conceição da Silva Paiva
Resumo Expandido
O filme argentino Mi amiga del parque (2015) apresenta a jornada de duas mulheres: Liz (Julieta Zylberberg) e Rosa, vivida por Ana Katz, que também assina o roteiro e a direção. A história se desenvolve em torno dos encontros e desencontros dessas duas personagens, uma morena e outra loira, alta e baixa, a mal vestida e a moderna e seus corpos e ações representam duas mentalidades bem diferentes, marcadas pelo contraste de suas classes sociais diluídos no espaço público de um parque. Nossas primeiras observações, com base na leitura de autoras como Ann Kaplan (1995); Alison Butler (2002), Judith Mayne (1990), Teresa de Lauretis (2011) e Kaja Silverman (1988), indicam que se trata de um filme eminentemente feminino, que colabora na desconstrução de estereótipos em torno do universo das mulheres e suas representações sociais. As técnicas de narração escolhidas por Katz, inclusive, não refletem e não sustentam formas sociais de opressão às mulheres e foge da proposta de objetificação do corpo feminino, muito presente no cinema clássico hollywoodiano (MULVEY, 1983). Ao longo da narrativa, paulatinamente, conhecemos um mundo de emoções presentes no cotidiano feminino, relações de gênero e classe (SAFFIOTI, 1992), múltiplas possibilidades de construções de papeis sociais das mulheres, passando por confusões, ambiguidades, relações amorosas e familiares, atividades profissionais, reflexões sobre a existência, psicanálise, desejo, solidão, traição e remorso etc. Contudo, merecem destaque o discurso do conceito da maternidade e como as mulheres contemporaneamente estão (re) pensando essa questão e as “lutas” em torno das regras estabelecidas sobre o que “deve” ser uma mulher (SCAVONE, 2001), que aparecem de uma maneira especial e única, partindo da ideia de um possível desconforto dos corpos nos espaços definidos para eles. Além de raros, os principais personagens masculinos aparecem muito pouco, de maneira quase irrelevante e/ou virtualmente fora do campo. Por conseguinte, pretendemos investigar, a partir dessa narrativa fílmica, como o cinema argentino está projetando um universo nitidamente feminino em suas produções (RUBIM, 2007), com suas circunstâncias, tensões, problemas, saídas e emoções.
Bibliografia

BUTLER, A. Women’s Cinema: The Contested Screen. Londres: Wallflower, 2002.



DE LAURETIS, T. Queer texts, bad habits, and the issue of a futue. GLQ: a journal of lesbian and gay studies. 17 (2-3): 242-263, 2011.



KAPLAN, E. A. A mulher e o cinema: os dois lados da câmera. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.



MAYNE, J. The Woman at the Keyhole: Feminism and Women’s Cinema. Bloomington: Indiana University Press, 1990.



MULVEY, L. Prazer visual e cinema narrativo. In: XAVIER, I. A experiência do cinema: antologia. Rio de Janeiro: Graal, Embrafilmes, 1983.



RUBIM, L. S. O. Cinemas contemporâneos da Argentina e do Brasil: diretoras em cena. In: III Enecult. Salvador: 2007.



SAFFIOTTI. H. Rearticulando gênero e classe social. In: COSTA, A. O. ; Bruschini, C. (Orgs.) Uma questão de gênero. São Paulo ; Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1992.



SILVERMAN, K. The female authorial voice. In: Film and authorship. New Brunswick, New Jersey and London: Rutgers University Press, 2003.