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  Título
Abril del Viet Nam en el año del gato: a trilha de Alvarez e Labrada
Autor
Glauber Brito Matos Lacerda
Resumo Expandido
Santiago Alvarez se tornou notável, entre outras coisas, pelo uso criativo do som nos filmes que realizou no Instituto Cubano de Arte y Indústria Cinematográfica (ICAIC) nos anos seguintes à Revolução de 1959. Segundo Labaki (1994, p.16): “Ele dizia que muitas vezes escolhia as músicas e pensava na articulação sonora muito antes de buscar as imagens”.

No fim da década de 1960, Alvarez passou a trabalhar, recorridas vezes, com o jovem engenheiro de som Jerónimo Labrada, que se integrou à equipe no Departamento de Som do ICAIC em 1968, deixando marcas significativas no famoso Grupo de Experimentación Sonora (GES).

A parceria estendeu em mais de vinte obras, entre longas, curtas e cinejornais. Para Alvarez, suas narrativas fílmicas se construíam muito mais na montagem do que num roteiro prévio (Labaki, 1994, p.40). Tal ideia agradava bastante a Labrada[1]:



Durante varias etapas del cine cubano, preferí el trabajo de sonido en el cine documental antes que en el de ficción. Siempre veia en ese campo mayor facilidade para participar desde una perspectiva creativa. En el cine de ficción, la tradición era que nos encontrabamos con un guión que ya estaba hecho, una idea bastante definitiva sobre la cual no había prácticamente ninguna posibilidad de actuar, en el sentido de proponer con el sonido alguna solución expressiva. Es decir, a la vez que a ti se te ocorre alguna idea creativa con relación a una historia, pues necessariamente el guión tiene que modificar-se, y en ese sentido muy pocos diretores de ficción estarían de acuerdo en hacer esos cambios. (...) Con Santiago Álvarez trabajé mucho desde el inicio del proyecto hasta la mescla final y, por supuesto, era un diretor con la voluntad de trabajar el sonido en esa cuerda.



Imbuídos da prerrogativa que a inexistência de um roteiro duro no documentário abre caminho para maiores possibilidades criativas, a dupla trabalhou em “Abril del Viet Nam en el año del gato” (1975). No ano da reunificação do Vietnã, antes dividido em Norte e Sul, Jerónimo foi ao país do sudeste asiático, como membro da equipe de Santiago. Ao todo, passaram quatro meses registrando sons e imagens sobre a história, o cotidiano e a reconstrução do país de Ho Chi Minh. Em seguida retornaram a Cuba, onde montaram o filme, sendo que Labrada não só se responsabilizou pelo som direto, como também pela edição de som e pela mixagem, conforme esclarece: la música vietnamita es grabada por mi en locaciones naturales, igualmente la compuesta por Leo Brower, el montaje de sonido y la mezcla final[2].

As questões ideológicas - marcada pela defesa da expansão socialismo pelo mundo - transparecem na trilha sonora em sua articulação nas imagens. Tal afirmativa se evidencia nos usos empáticos da música (Chion, 2011) , como nas variações harmônicas do Hino da Internacional Comunista que acrescenta valor às imagens - perceptível no trecho em que registram uma viagem diplomática de Fidel ao Vietnã e o tema é arranjado com percussão cubana e instrumentos cujos timbres remetem a sonoridades da música folclórica vietnamita -, assim como no uso dos ruídos, editados de modo antinaturalista, e nas vozes que, por vezes, recebe processamentos, trocando o timbre original da tomada, por um modo que soe mais expressivo.

Assim, lançando mão do pensamento de Chion, da decupagem da trilha sonora e de dados fornecidos diretamente por Labrada, esta comunicação apresenta uma investigação do processo criativo da dupla Labrada-Alvarez na relação estabelicida entre som e imagem no filme Abril del Viet Nam en el año del gato.



[1] Em entrevista dada para Víctor Calzada e Dean Reyes.

[2] Em e-mail respondido ao autor.
Bibliografia

CALZADA, Víctor F.; REYES, Dean L. Entrevista Jerónimo Jabrada: “las películas siguen siendo mudas mismo en una era sonora”. Disponível em http://www.salabeckett.cat/fitxers/pauses/pausa-31/entrevista-a-jeronimo-labrada. Acessado em 17 de maio de 2016.



CHION, Michel. A audiovisão: som e imagem no cinema. Lisboa: Texto&Grafia, 2011.



LABAKI, Amir (Org.). A Verdade de Cada Um. São Paulo: Cosac Naify, 2015.



______________. Olho da revolução: o cinema-urgente de Santiago Álvarez. São Paulo: Iluminuras, 1994.



LABRADA, Jerónimo. El sentido del sonido. Barcelona: Alba, 2009.