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  Título
Do Bando da Lua para o cinema: músicos filmados e intermidialidade
Autor
Suzana Reck Miranda
Resumo Expandido
Esta comunicação apresentará resultados parciais da pesquisa que desenvolvo junto ao projeto “Toward an Intermedial History of Brazilian Cinema: Exploring Intermediality as a Historiographic Method” que, como sugere o título, toma a intermidialidade como um método historiográfico por compreender que a natureza mista do cinema permite observá-lo como uma combinação de formas artísticas e de mídias. Meu recorte, cujo objetivo principal é promover uma reflexão que aborde os filmes a partir das suas músicas (e vice-versa), centra-se em músicos que figuraram em musicais brasileiros dos anos 193O, nas suas relações com o rádio, com a indústria fonográfica e com números musicais do cinema Hollywoodiano das décadas de 1940 e 1950.



Procuro, sobretudo, o que os músicos coadjuvantes nos momentos musicais de alguns filmes podem nos dizer sobre o cruzamento destes diferentes meios. Por vezes pouco notados, os instrumentistas que estou observando, geralmente tinham (ou tiveram) contratos fixos com emissoras de rádio e gravadoras brasileiras na década de 1930. Para pensar as dimensões interpretativas que estes momentos musicais potencializam, que incluem encontros intermediais e diálogos transnacionais, os desafios são inúmeros, mais ainda quando as fronteiras entre as tradições locais e importadas se mesclam.



O percurso ao qual me lanço tem a arriscada proposta de, em certos pontos, recortar menos um conjunto de sequências fílmicas e mais um músico que nelas aparece, pois sua voz, corpo, gesto e execução musical flanam por diferentes filmes em diferentes culturas embaralhando clássicos binômios como representação e auto-representação, visível e invisível, audível e inaudível, local e transnacional.



No XIX Encontro da Socine apresentei a trajetória do multi-instrumentista José do Patrocínio Oliveira, o "Zé Carioca". Desta vez o foco será em Aloysio de Oliveira, membro fundador do Bando da Lua, e em um de seus parceiros de grupo, Nestor Amaral. Pretendo agora aprofundar dois questionamentos: entender o modo como alguns os números musicais dão a ver seus músicos secundários e quais interpretações podemos extrair de suas ações/performances, já que mesmo permanecendo pouco tempo na tela, estes músicos parecem conferir aos números musicais uma aura de “autenticidade”; e observar em que medida é possível justapor o conceito tão amplo de intermidialidade (PETHÖ, NAGIB) com parâmetros específicos da Film Music Theory (GORBMAN, KALINAK, KASSABIAN).
Bibliografia

CASTRO, Ruy. Carmen, uma biografia. São Paulo: Cia. Das Letras, 2005.

GORBMAN, Claudia. Unheard Melodies: Narrative Film Music. Bloomington: Indiana University Press, 1987.

HERZOG, Amy. Dreams of Difference, songs of the same: the musical moment in film. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2010.

KALINAK, Kathryn. Settling the Score: Music and Classical Hollywood Film. Madison: University of Wisconsin Press, 1992.

KASSABIAN, Anahid. Hearing Films: tracking identification in Contemporary Hollywood Film Music. New York/London, Routledge, 2001.

NAGIB, Lucia and JERSLEV, Anne (eds.). Impure cinema: intermedial and intercultural approaches to film. London/New Youk: I.B. Tauris, 2014.

OLIVEIRA, Aloysio. De banda pra lua. São Paulo: Record, 1983.

PETHÖ, Agnes. Cinema and Intermediality: the passion for the in-between. Cambridge Scholars Publishing, 2011.

TINHORÃO, José Ramos. O Samba agora vai... A farsa da música popular no exterior. São Paulo: Editora 34, 2015 (2a ed.).