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  Título
A presença do humor-crítico em Corpse Bride
Autor
Carla Lima Massolla Aragão da Cruz
Resumo Expandido
Este artigo é um recorte de uma pesquisa de doutorado em andamento, que contempla, sob o aspecto do humor-crítico, as animações contemporâneas. Desde que emergiram, as animações cinematográficas apresentam a magia de um mundo fantástico, que atrai principalmente o público infantil, mas que também conquista jovens e adultos, pelas especificidades do humor e da atmosfera que desenvolvem. Ciente destas circunstâncias, e com as possibilidades das ferramentas midiáticas, potencializadas pelo rápido avanço tecnológico, as produções cinematográficas passaram a refletir à inserção de aspectos semelhantes a determinados contextos históricos e culturais, que pelo desenvolvimento do ethos de alguns personagens, incorporam o perfil de alguns ícones, atualizados pela construção de novas maneiras de comunicação, que respondem às necessidades e exigências contemporâneas. Presentes nas diversas esferas da animação impactaram em novos processos interativos, e consequentemente, também na identificação de novos gêneros discursivos, dentre os quais o gênero horror das animações de longa metragem. É possível que muitos considerem o horror inadequado ao interesse do público infantil, no entanto, o interesse pelo estilo data da primeira animação de horror, Fantasmagorie (1794), que aconteceu em Paris, promovida por Ettiénne Gaspard Robert, com o uso da lanterna mágica, foi um espetáculo com estrondoso sucesso, e permaneceu anos em cartaz para o público em geral. Conforme, Lucena (2005, p.32), o sucesso da apresentação era enorme e a história relata que as famílias se queixavam por suas crianças roubarem dinheiro e fugirem para assistir às apresentações. Certamente, o interesse das crianças pelo diferente se mantém, e, por ocasião do advento da computação - digital em particular - a expectativa e as exigências dos espectadores aumentaram, e em face ao atual contexto cultural e tecnológico, tende a ser mais exigente e impulsiona a um constante desafio de superação. Para demonstrar como o horror é trabalhado nas narrativas de animação, escolhemos uma obra de Tim Burton, Corpse Bride (2005), lançado como seu décimo segundo longa-metragem, traduzido para o português como “A Noiva Cadáver”. Esta animação atribuiu a Burton a primeira indicação ao Oscar, como melhor Longa de Animação. Com um custo de US$ 40 milhões, arrecadou cerca de três vezes este valor em todo o mundo e foi premiada pelo uso da técnica inovadora de combinação de stop motion com animação digital no Festival de Veneza. Além das histórias macabras de Edgar Alan Poe, que sempre atraíram Tim Burton, em Corpse Bride ele adaptou um antigo conto russo a ambiência da Grande Depressão, na essência do modernismo desenvolveu uma animação gótica na qual até a tuberculose recebe destaque. O protagonista de Corpse Bride é Victor Van Dorst, filho de um peixeiro bem-sucedido e residente em um vilarejo europeu do século XIX. Educado com os privilégios dos chamados “novos ricos” da época, recebe dos pais a incumbência de levá-los a ascensão social por meio do casamento com a jovem Victoria Everglot, filha de pais falidos, que esperam do matrimônio a estabilidade financeira. Rendidos ao compromisso do casamento, os nubentes são surpreendidos quando, acidentalmente Victor se casa com a Noiva-Cadáver, que o leva para Terra dos Mortos, lugar que apresenta um visual e animação muito mais atraentes do que a Terra dos vivos. Finalmente, os vitoriosos, Victor e Victoria concluem juntos a narrativa de amor, horror e crítica social.
Bibliografia

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