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  Título
Animação, motion graphics e interfaces transmídia
Autor
João Paulo Amaral Schlittler
Resumo Expandido
O universo transmídia prescinde da criação de mundos virtuais definidos por uma identidade visual coesa. Para que isto seja possível, dependem de interfaces que permitem os usuários a interagirem com estes conteúdos em múltiplas mídias e plataformas. Hoje, a produção de conteúdos transmídia tem sido realizada por profissionais atuantes no setor do audiovisual, da comunicação visual e UX (Experiência do Usuário). Pretende-se estudar as relações entre áreas que interagem entre si, mas são classificadas em campos distintos do conhecimento: animação nas artes audiovisuais e motion graphics (design em movimento) na arquitetura e design, como articulação de uma proposta de interface de usuários de conteúdos transmidiáticos.



Encontramos a animação tipográfica presente desde o início do cinema e da televisão. Enquanto, motion designers tem historicamente adotado técnicas tradicionais de animação, o campo também é reconhecido por pesquisas pioneiras no desenvolvimento de novas técnicas de animação e cinema digital.



O motion-graphics é um ramo do design, que através do movimento e técnicas do cinema de animação, permite comunicar ideias, conceitos e gerar ambientes visuais navegáveis, servindo como interface de navegação em conteúdo audiovisual transmidia. Técnicas de animação já são utilizadas em Interfaces Gráficas do Usuário (GUIs) facilitadoras da interação com aplicativos e sistemas operacionais, a apresentação propõe explorar a utilização de técnicas e da linguagem de animação e motion-graphics no design de interfaces transmidia.



As Interfaces Gráficas do Usuário (GUIs - Graphic User Interfaces) são facilitadoras da interação humano-computador. Na última década temos visto a introdução de Interfaces Naturais do Usuário (NUIs – Natural User Interfaces) que respondem a gestos de forma orgânica. Recentemente, com a introdução de smartphones multifuncionais, com processadores mais rápidos, tem se desenvolvido interfaces que utilizam a animação como facilitadora de metáforas, como, por exemplo, o ato de jogar um documento no lixo ou disparar uma fotografia.



Dado que conteúdos transmídia necessitam de interfaces para os espectadores interagirem com as narrativas e suas ramificações. O conhecimento adquirido no design em movimento, aplicado aos diversos aspectos da indústria do entretenimento, pode ser de grande importância no design destas interfaces, agregando as lições aprendidas pelo motion design, na TV à cabo, cinema e vídeo games.



Considerando-se que estes dispositivos servem como pontos de acesso a interações mediáticas, encontra-se neles um caminho, para que experiências transmídia oriundas de mídias audiovisuais se relacionarem com outras plataformas, como: PCs, consoles de games e tablets. Nestes há oportunidades de utilização da animação na criação de universos que servem como “pórticos” de universos expandidos. No caso, a animação digital pode ser considerada como geradora de realidades sintéticas, ou seja, constituindo um cinema de síntese, que por natureza é permitindo a interação com esta realidade virtual.
Bibliografia

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