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  Título
The X-Files na social TV: uma análise do perfil @thexfiles
Autor
Daiana Maria Veiga Sigiliano
Resumo Expandido
Discutido por Proulx e Shepatin (2012), Acierno (2012), Borges (2013) e Fechine (2014) o recente fenômeno da social TV é caracterizado pela interação social entre os telespectadores durante a exibição da grade de programação. Essa troca de impressões, de maneira síncrona ao fluxo televisivo, é feita por meio das redes sociais (Facebook, Twitter, Snapchat, etc.) e dos aplicativos de segunda tela (TV Showtime, TV Tag, Viggle, etc.). A arquitetura digital conectada das plataformas faz com que os telespectadores interagentes potencializem a sociabilidade em torno da televisão através do compartilhamento de fotos, vídeos, memes, montagens e, principalmente, comentários sobre as atrações.

Desde a popularização do fenômeno as emissoras estadunidenses abertas e segmentadas vêm adotando estratégias de social TV para estimularem o appointment television (TV com hora marcada) e engajarem o público durante a exibição das narrativas ficcionais seriadas. As ações abrangem desde a divulgação de vídeos promocionais dos episódios que irão ao ar até o compartilhamento de conteúdo transmídia do universo ficcional das tramas (PROULX; SHEPATIN, 2012).

O canal Fox Broadcasting Company, popularmente conhecido como Fox, foi um dos primeiros a investir em estratégias relacionadas à social TV. Desde o final de 2011 todas as narrativas ficcionais seriadas da emissora possuem um perfil no Twitter e uma hashtag que a identifica no backchannel, como por exemplo #NewGirl, #Bones, #Empire, etc. Os conteúdos postados nas páginas variam de acordo com o gênero do programa e o universo ficcional em questão.

Neste contexto, este artigo tem o objetivo de refletir sobre as ações de social TV adotadas pelo canal Fox durante a exibição da décima temporada de The X-Files (2016). Isto é, investigar quais são os recursos utilizados pela emissora no engajamento dos telespectadores interagentes e como estes conteúdos dialogam com as histórias apresentadas na TV, oferecendo ao público novas formas de interação e conteúdos complementares.

Após 13 anos do encerrado da série The X-Files, que foi ao ar entre 1993 e 2002 totalizando nove temporadas, a emissora Fox anunciou a produção de seis episódios inéditos (My Struggle, Founder's Mutation, Mulder and Scully Meet the Were-Monster, Home Again, Babylon e My Struggle II). A trama é centrada nos agentes do FBI Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson). Mulder e Scully investigam casos não solucionados envolvendo fenômenos paranormais, conhecidos com x-files. A décima temporada foi ao ar nos Estados Unidos entre os dias 24 de janeiro e 22 de fevereiro de 2016.

O perfil da série no Twitter, o @thexfiles, foi criado em 24 de março de 2015. Antes da estreia dos episódios a Fox usou o microblogging para divulgar fotos promocionais, cartazes, teasers e conteúdos complementares do universo ficcional (SIGILIANO, BORGES, 2016). Atualmente a página é seguida por 194 mil usuários e conta com cerca de 10 mil postagens.

O percurso metodológico adotado neste artigo consiste no monitoramento das publicações realizadas pelo perfil de The X-Files (2016) no Twitter durante a exibição da décima temporada, composta por seis episódios de 43 minutos. As postagens serão filtradas através da ferramenta Tweetdeck e capturadas com o software Snagit. Após a sistematização dos tuites, iremos analisar quais estratégias de social TV foram adotadas pelo canal Fox e como estas dialogam com o universo ficcional explorado na narrativa televisiva.

Esperamos que os resultados encontrados nos permitam enriquecer o debate sobre o fenômeno da social TV e como este contribuiu para o engajamento dos telespectadores interagentes e a expansão dos arcos narrativos da décima temporada da série The X-Files (2016).
Bibliografia

PROULX, Mike; SHEPATIN Stacey. Social TV – How marketers can reach and engage audiences by connecting television to the web, social media, and mobile. New Jersey: John Wiley & Sons Inc, 2012.

BORGES, Gabriela. Social TV: Discussões preliminares sobre o fenômeno. COLÓQUIO INTERNACIONAL EM MÍDIA DIGITAL - TELEVISÃO E INTERATIVIDADE, I,2013, Juiz de Fora: UFJF. CD-ROM.

ACIERNO, Margherita. A tuttatv! Nuovi modi di guardare la television al tempo di internet. Milano: Lupetti, 2012.

SIGILIANO, Daiana; BORGES, Gabriela. O diálogo entre a complexidade narrativa e a

social TV no projeto xfrewatch da série The X - Files. In: ENCONTRO ANUAL DA COMPOS, XXV, 2016. Goiânia: UFG. Disponível em: http://goo.gl/06h8BU. Acesso em: 13 mai. 2016.

FECHINE, Yvanna. Elogio à programação: repensando a televisão que não desapareceu. In: CARLÓN, Maria; FECHINE, Yvana (Orgs.). O fim da televisão. Rio de Janeiro, Confraria do Vento, 2014.