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  Título
O webdocumentário a partir de Vertov
Autor
Manuela Penafria
Resumo Expandido
Antes dos anos 30, ou seja, antes da institucionalização do documentário enquanto género Vertov (e o filme O homem da câmara de filmar) assim como Flaherty (e o filme Nanook of the North) inauguram a criação e posterior desenvolvimento de um novo género que regista a realidade e exerce sobre esse registo um trabalho criativo (tal como, mais tarde, se defendeu nos anos 30). Estou em crer que a via lançada por Flaherty foi efetivamente desenvolvida, uma vez que abundam sobremaneira documentários sobre o Outro. Por seu lado, a via aberta por Vertov que exigia uma maior manipulação da imagem não foi a aposta do documentário em formato linear. A questão que coloco é se o webdocumentário, enquanto obra interativa que assenta no registo da realidade, pode assumir a proposta preconizada por Vertov. E essa proposta consiste, no essencial, numa total manipulação (com as suas sobreposições de imagem, freezeframe, incluindo até técnicas de cinema de animação,..) dos registos da realidade. Hoje em dia, as obras que se assumem como webdocumentário incluem a tradição do documentário e é suposto serem criativas no seu design e interface. Assim sendo, estaremos perante a efetiva possibilidade de desenvolver, para o documentário, a proposta de Vertov?
Bibliografia

Annette Michelson (Ed.) Kino-eye, The writings of Dziga Vertov, University of California Press, 1984.

Amir Labaki (Org.) A verdade de cada um, Cosac Naify, 2015