Voltar para a lista
 
  Título
Star Wars: O Universo Retrô-Imagético Despertado à Força
Autor
Renan Claudino Villalon
Resumo Expandido
A pesquisa trabalha a questão de um possível gênero retrô enquanto uma forma de construção cinematográfica, possível de análise, de acordo à produção utilizada pelo filme Star Wars – Episode VII: The Force Awakens, de J.J. Abrams. A obra, através de suas lembranças autorreferenciais colocadas sob uma forma "oldschool" de produção, estaria conectando seu elemento imagético, sobre o seu próprio universo galático, através de relações entre um roteiro nostálgico trabalhado da mesma forma que fora feito em sua trilogia clássica: dentro da ideia de ambientação dos anos 1970-80.

Esta possível afirmação nos liga a uma possível ideia pré-definida sobre a questão do gênero retrô. Colocado, aqui neste estudo, como um gênero emergente dentro da produção de filmes da cultura pop hollywoodiana, este gênero se projeta sob a ideia da não-preocupação atual, de alguns cineastas contemporâneos, em relação às necessidades sobre inovações na forma de linguagem ou produção cinematográficas. Esta falta de preocupação, esta não necessidade em propor algo novo, categoricamente permitiria, então, o “resgate” das formas antigas de se produzir cinema, tanto na questão da construção do roteiro, quanto na forma da construção imagética em sua ambientação ou mesmo na intenção de sua “mise-en-scène velha”, todos estes aspectos ligados a um “oldschool fílmico”. Essa possibilidade oldschool surge aqui como algo importantíssimo à esta narrativa em The Force Awakens, já que poderia ser relacionada à forma da construção de seu roteiro até sua atmosfera audiovisual, fortemente conectados às autorreferências do universo imagético de sua produção na primeira trilogia.

Desta forma, a justificativa do estudo se torna, copiosamente, a observação deste gênero retrô sendo colocado perante nós a partir destes filmes pós-clássicos hollywoodianos. Isto permite aos espectadores (nos casos de sequências fílmicas, como é analisado aqui) reencontrarem não apenas um universo “já sentido” visualmente e conceitualmente por outras gerações, mas principalmente ao reencontro de uma forma de construção deste “já visualizado/conceitualizado”, como se a “velha forma” fosse transposta ao contemporâneo. Esta transposição, inclusive, sem muitas “adequações” à forma de produção atual fílmica, apenas com breves atualizações à época.

Partindo para a forma da produção imagética desta continuação (compreendida aqui como oldschool), o objetivo é analisar como que esta maneira de produzir imagens se liga tanto na questão da lembrança (que interligam cenas do roteiro de The Force Awakens a ideias icônicas “já sentidas” na primeira trilogia, no anos 1970-80), quanto pela própria forma de produção e construção destas imagens. Pensando assim, temos um roteiro nostálgico, portanto, passando por um processo de construção relativo à forma de produção antiga, um “resgate” que passa do conceitual-imagético (do próprio universo fílmico) e chega até nós através de um pensamento de produção “já encerrado”, passando apenas por breves atualizações dos efeitos especiais.

Tendo sua divisão em duas partes, a primeira tratará do reconhecimento da produção e da importância que a primeira trilogia teve na questão da formulação do ideal do cinema pós-clássico na Nova Hollywood, compreendido isto também através de conceitos teóricos sobre a cultura pop. Na segunda parte, observa-se o conceito do retrô-gênero na análise da atual produção fílmica, permitindo que cenas icônicas da primeira trilogia apareçam reconfiguradas no roteiro de The Force Awakens, partindo de uma intenção nostálgica deste universo através de uma forma de produção dos anos 1970-80 “recolocada” em 2015.

Compreendendo este processo, a hipótese trabalhada é a possibilidade de observar se realmente é vigente a conclusão de um gênero retrô sobre esta intenção contemporânea de cineastas, em questões de pré, produção e pós-produção de universos próprios, delimitado aqui sobre a ideia das inúmeras continuações fílmicas da produção mainstream em Hollywood.
Bibliografia

KELLNER, Douglas. “Cultura da Mídia e Triunfo do Espetáculo”. In: MORAES, Dênis de (org.). Sociedade Midiatizada. Rio de Janeiro: Mauad, 2006. p.119-147.



MAFFESOLI, Michel (2010). O Tempo Retorna: Formas Elementares da Pós-Modernidade. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012. p.105-114.



MASCARELLO, Fernando. “Cinema Hollywoodiano Contemporâneo”. In: MASCARELLO, Fernando (org.). História do Cinema Mundial. Campinas/SP: Papirus, 2006. p.333-360. (Coleção Campo Imagético)



PERNIOLA, Mario. “O Já Sentido”. In: Do Sentir. Tradução de António Guerreiro. Lisboa: Editorial Presença, 1993. p.11-47.